Qualquer dia, qualquer hora

Qualquer dia eu vou sair por aí. Chutar pedras na rua e perguntar: “O que foi? Nunca me viu?”. Vou sair por aí e não vou sorrir pra ninguém, nada de boa tarde, boa noite, bom dia, oi-como-vai-tudo-bem-obrigado. Qualquer dia  eu vou gritar com você na rua, eu vou mandar você para aquele lugar, porque de vez em quando dá vontade, viu, eu vou sair por aí e andar no meio da rua, os carros que desviem! Vai começar a chover e eu não vou me esconder, não. Eu vou é cantar a noite toda na rua até você chegar e me abraçar, porque de vez em quando é bom, viu.
Qualquer dia eu vou sair por aí, vou bater na porta da sua casa e te levar comigo. A gente vai embora daqui e nunca mais volta. Ou volta se der vontade. Vem, vamos logo!
Um dia desses eu ainda paro o relógio e todo o tempo do mundo vai ser nosso. Não se preocupe, não haverá mais trabalho, chefe, prazo, telefone, família, vizinhos. Qualquer dia desses só haverá nós dois. Eu e você, você e eu. Então se prepara, porque qualquer dia desses eu te pego pra mim.
É qualquer dia desses vou sair por aí e entrar num ônibus. Vou chorar e rir ao mesmo tempo e ninguém tem nada a ver com isso. Vou parar em um lugar que nunca vi na vida, mas que tenho certeza que é o meu lugar. E vou estar sozinha, porque esse lugar é só meu.
Um dia… Pode ser amanhã, ou depois, ou depois… Você vai sair por aí e não vai mais voltar. Porque você me encontrou. Qualquer dia desses… Hoje não.

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