No sonho, na imaginação

E da mesma forma que ele chegou apressado, derrubando tudo e meio acanhado ele foi embora. Já faz quase um ano desde que ele fechou a porta e disse adeus. A partir daí os dias se tornaram cinza, as piadas sem graça, as noites mais longas e as histórias de amor pura fantasia.
Eu sempre acreditei que pudesse dar certo e que viveríamos em harmonia por muito tempo, pensei que finais felizes fossem possíveis e que relacionamentos são para durarem para sempre. Até a última manhã que ficamos juntos parecia um sonho. Elogios eram proferidos a cada segundo, os abraços e afagos faziam parte do dia a dia, sentar no sofá um ao lado do outro sem trocar uma palavra era um hábito esperado e revigorante. Ele cozinhava para mim enquanto terminava de trabalhar, eu abdiquei vários feriados e finais de semana para apoiá-lo em sua nova empreitada profissional. Era eu que segurava sua mão cada vez que ele pensava em desistir, era para mim que ele desabafava sobre as crises de família, sobre o stress do trabalho e eu fazia planos para passar o resto da minha vida ao lado dele.
Era ao lado dele que pretendia morar na casa azul de janelas brancas, era o corpo dele que pensei que fosse buscar a noite quando sentisse frio, era a caneca de café dele que ia esperar nas minhas madrugadas de escritora. Era com ele que queria compartilhar meus maiores sonhos, era para ele que ia dedicar meu primeiro livro, era ele que queria como pai dos meus possíveis seis filhos. Planos frustrados, planos imaginários, planos jamais conquistados.
Um ano se passou e eu ainda sinto muita falta dele. Da sua voz dizendo que tudo daria certo, da forma que ele ficava me olhando dormir, das vezes que roubava o edredon dele e ele reclamava, do café que compartilhávamos sempre de madrugada, dos passeios de carro sem destino certo,das noites deitados na grama contando as estrelas. As vezes ainda tenho a impressão que vou chegar em casa e encontrar com ele me esperando para jantar, sem querer me pego contando meu dia pro travesseiro imaginando ele do meu lado e quase toda noite procuro por ele na minha cama.
Não tem jeito, pode passar um ano, dois anos, três, quatro, quantos forem de alguma forma, de alguma maneira mesmo que inexplicável ele vai estar sempre presente, mesmo que seja nos meus sonhos mais loucos, mesmo que seja na minha imaginação mais fértil.
Porque hoje eu consigo entender que o amor não existe e que finais felizes só existe em propaganda de margarina.

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