This is not a love story – Parte 2

Mas era tarde demais e Pietro havia pegado a direção oposta ao caminho do ônibus. Abrindo o papel em sua mão começou a analisar cuidadosamente como se tentasse extrair informações acerca de Pietro somente pela sua caligrafia. Enquanto segurava o papel com o telefone de Pietro, pensava “Meu Deus, o que foi isso???” levantou-se apressadamente e quando foi descer do ônibus esbarrou em uma senhora que queria entrar pela porta de trás. Pediu desculpas mesmo não sendo culpa dela, enquanto o cobrador esbravejava com a senhora que deveria ter entrado pela outra porta. Alice seguiu andando apressadamente para o trabalho atrasada, entrou abruptamente as portas do prédio e no elevador da agência de publicidade onde trabalhava apertando botão do 6°andar diversas vezes como se o elevador isso fizesse o elevador subir mais rápido, chegou no andar desejado, disse um “bom dia” rápido e sussurrado para alguns colegas e sentou-se a sua mesa. Jogou sua bolsa aos seus pés, arrumou seus óculos caídos sobre seu nariz fino e delicado e quando olhou para sua mão disse em um tom um tanto quanto alto que fez seus colegas esticarem o pescoço para ver o que tinha acontecido a única pessoa que quase nunca se manifestava de uma forma explicita em público “Onde diabos foi parar o papel com o telefone?”.
Pegou a bolsa embaixo dos seus pés e jogou tudo em cima da mesa e em meio a batons, amostras grátis de perfume e cremes hidrantes ela procurava desesperadamente pelo pedaço de papel. “Ora, onde foi parar o papel, tem que estar aqui, tem que ta” pensava enquanto espalhava ainda mais suas coisas e deixa seus colegas de trabalho ainda mais curiosos pra entender o que a menina que quase nunca mudava sua expressão tanto procurava. Enquanto Alice desesperadamente ia a busca dos números que poderiam mudar sua vida, Pietro seguia seu caminho pensando na sorte que teve naquele dia. Ele costumava fazer sempre o mesmo caminho para chegar na empresa, naquele dia acordou com vontade de deixar o carro em casa e fazer algo inédito, pegar um ônibus que o levasse até o lugar que ele costumava chamar de fábrica de loucos.
Revisor de livros e aspirante a escritor Pietro amava o que tinha escolhido para fazer o resta da sua vida mas de uns tempos para cá ele tinha perdido um pouca da paixão que tinha pelo trabalho e tinha perdido um pouco da inspiração, mas o encontro inesperado de hoje tinha mudado tudo, e de repente aquela garota de óculos tinha trazido de volta a mente de Pietro algo perdido a muito tempo. “Queria decifrar os pensamentos de Alice” pensou ele e o que ele não sabia era que naquele mesmo momento a desesperada Alice também estava em busca de conhecer mais sobre o estranho rapaz que conheceu perdido no ponto de ônibus.
E com um sorriso de orelha a orelha, Pietro ainda não acreditava que havia conhecido aquela bela garota de sorriso tímido, que arrumava os óculos caídos em seu belo nariz fino a cada minuto, de terninho de escritório que não combinava nada com ela, de olhos castanho-claro, que mordia o lábio inferior toda vez que percebia os olhos dele tentando encontrar os dela, e que parecia a coisa mais linda que ele havia visto em toda sua vida. E nesses pensamentos olhava para a tela do computador com o livro que estava com a revisão atrasada e que tinha que entregar naquela semana e não conseguia se desprender dos pensamentos e da loucura que fizera ao entregar seu número de telefone para Alice. Seus olhos se alternavam entre o celular em cima da mesa e a tela do computador, e Pietro sorria, e não conseguia parar de sorrir. Quando de repente seu momento nostálgico foi interrompido pelo toque do telefone da empresa, fazendo seu coração bater tão forte que foi quase impossível entender a pessoa do outro lado que dizia com uma voz nada satisfeita, “Onde está a revisão do livro que deveria estar pronta há dois dias?”
Não muito longe dali, Alice já havia revirado tudo e procurado onde era possível pelo tal do papel com o número de Pietro. Até mesmo chegou a refazer o caminho até a portaria do prédio, perguntou aos faxineiros e nada! Ninguém havia recolhido ou visto tal papel. Quando retornou ao escritório, os olhos atentos de seus colegas de trabalho a acompanharam até sua mesa. Sentou-se e depois de um grande suspiro, arregalou os olhos e pensou “Provavelmente na hora que aquela senhora esbarrou em mim, o papel caiu no ônibus ou na rua!” Após outro suspiro do qual se percebia sua “desistência” começou a trabalhar e pensar ainda no cheiro intoxicante de Pietro que ficara gravado em seus sentidos, mas que também não era a primeira vez que era acometida por tal sentimento. Apoiou a mão no queixo e pensava que realmente aquele era um dia de má sorte.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s