This is not a love history – Parte 3

Mas o destino trabalhava a favor de Alice e Pietro. Depois da ligação mal criada que recebeu Pietro resolveu que seus dias de loucura precisavam terminar. Minimizou a tela onde estava o livro que precisava entregar e clicou no ícone da internet e começou a percorrer páginas e mais páginas de sites que ofereciam oportunidade de emprego mas nada atraia atenção dele, Pietro queria dar um novo rumo para sua vida, queria mudar tudo e começar algo do zero foi enquanto pensava nisso que uma vaga piscou na frente de seus olhos: Contrata-se Redator publicitário. Sem pestanejar e pensando em uma nova fase ele enviou seu currículo.
Uma das tarefas que Alice mais odiava em seu trabalho era filtrar os emails do seu diretor, ainda mais quando ele abria novas vagas de emprego. Por não gostar de passar horas abrindo e fechando currículos o trabalho acaba fica mecânico e desinteressante, ela nem se dava ao trabalho de ver o nome da pessoa, ia diretamente às habilidades, procurava ver se a pessoa se encaixava no perfil e enviava a mensagem padrão convocando para a entrevista que aconteceria na próxima semana e que seria mais um dia de dinâmicas, sorrisos e falsas esperanças. Tentando se concentrar na tarefa e não pensar mais em Pietro, Alice encontrou um currículo interessante, se tratava de alguém sem nenhuma experiência para o trabalho mas que estava tão bem formatado que ela resolveu abrir a convocação. Enquanto isso há algumas quadras dali, alguém recebia uma nova mensagem.
Saindo da sala da sua chefe, após uma reunião maçante de três horas perto do fim do expediente, Pietro, fechou as muitas janelas do seu computador e nem olhou seus emails antes de sair, tamanha a vontade de ir pra casa e esquecer daquele dia de trabalho nenhum pouco satisfatório, desligou o computador. Pegou seu suéter e ao chegar na portaria do edificio onde trabalhava no centro da cidade, viu que chovia. Sem guarda-chuva ficou da porta olhando o movimento apressado das pessoas, algumas como ele pegas de surpresa pela chuva que parecia ficar cada vez mais forte. Por um instante veio o pensamento de Alice, a garota que conhecera pela manhã, e tirando o celular do bolso viu que não havia o menor sinal dela. Olhou para o céu cinza escuro de nuvens e tentou lembrar cada segundo do pouco tempo que passou ao lado dela e ao mesmo tempo se perguntava como era possível se sentir tão bem com aquilo, e no meios desses pensamentos soltou um audível “Claro que ela não vai te ligar, idiota!”.
Alice olhava pela janela do prédio e via o trânsito se formando como uma multidão vagalumes vermelhos e laranjas piscantes, e as buzinas impacientes que formavam o cenário do caos, mas ela naquele dia não parecia se importar muito com aquilo. Sua colega de trabalho Débora, havia lhe oferecido uma carona até perto de casa e como a chuva não parecia dar trégua, Alice aceitou e a esperava sair do banheiro onde havia ido retocar a maquiagem, com a alegação de que nunca se sabe quando podemos encontrar um bonitão dando sopa por aí! Sairam as duas do estacionamento do prédio e Alice, com sua timidez quase não ousava olhar para o lado.
Débora era uma pessoa sempre de bom humor, piadista e que fazia amizade muito fácil, e que ás vezes conseguia arrancar uma ou duas palavras de Alice quando se encontravam na mesa do café. Alice sempre soprando e sorvendo delicadamente sua caneca de chá de frutas vermelhas que era o seu predileto pois não tomava café, ao contrário de Débora que sempre estava com um copo de café que parecia servido para tomar o dia todo. Débora ligou o rádio para ouvir como estava a situação do trânsito e ligou o GPS para fazer algum caminho alternativo e não ficar presa no meio do trânsito e se juntar à miríade dos vagalumes vermelhos e barulhentos. Alguns minutos mais tarde depois de ter xingado alguns taxistas e motoqueiros, percebeu que Alice estava lá com seu silêncio funebre e perguntou se estava tudo bem com ela. Alice meneou a cabeça e deu seu sorriso fingido de normalidade que funcionava até que bem, mas depois da sua cena no escritório, não colou. Então Débora, disse: “Hoje você parecia meio distraída. Na verdade mais do que o normal, já que a gente quase não percebe sua presença no escritório. Aconteceu algo? Quer conversar a respeito? Eu sei que não somos tão próximas assim, mas sou todo ouvidos se quiser falar, e interrompeu subitamente seu discurso generoso pisando no freio bruscamente e para gritar coisas ruins a respeito da mãe de um motorista de ônibus havia fechado seu carro. “Onde estávamos?”, disse Débora. “Ah, sim!”, “Então “Ali” (ela nunca chamava ninguém exceto seu chefe pelo nome completo ou arranjava um apelido para os demais), o pessoal ficou meio apreensivo com sua atitude hoje e depois com sua correria pelo prédio…” Alice parecia se encolher a cada palavra que Débora dizia, indagando a si mesma porque raios foi aceitar essa carona. E então na tentativa de fazer com que Débora se calasse, limpando a garganta disse: “Bem, está tudo bem só perdi uma anotação. Só isso. Obrigado pela preocupação”. E se fechou novamente ajeitando os óculos caídos sobre o nariz. Olhou para o outro lado da rua e seguiram com a voz irritante do GPS dizendo o percurso que Débora deveria fazer. Chegando perto da casa de Alice, Débora fez questão de deixá-la em frente de casa, pois a chuva não dava trégua de forma alguma. “Ali, se precisar de alguma coisa me liga, beijo!” E saiu ao som de “Single Ladies” com o volume altíssimo, já que estava sozinha.
Alice entrou correndo em casa, tirou seu casaco um pouco molhado, deixou as chaves no criado mudo, checou as mensagens da secretária eletrônica, colocou a bolsa na mesa de centro da sala, arrancou os sapatos e se jogou no sofá. Olhou para o teto e deu um forte suspiro de cansaço. Fechou os olhos por alguns instantes para o ouvir o som da chuva que parecia ser única canção que ia embalar seu pouco sono dessa noite. De repente lágrimas escorriam dos seus olhos quase que involuntáriamente, e percorriam a face branca como o mármore e sentiu um aperto no coração. Levantou-se enxugando os olhos e pensou na manhã incomum que viveu e seus sentidos foram reacendidos ao pensar em Pietro, o rapaz desconhecido que de alguma forma mexeu com algo dentro dela, embora aquele exato sentimento fosse muito familiar.

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