Eu não sou quem você pensa que eu sou

Se vocês pensam que eu sou uma mulher dedicada daquelas que cuida bem da casa, compra mil enfeites, adora ir ao supermercado, fica pensando em decorações lindas e cheias de detalhes vocês estão errados. Eu odeio limpar casa, amo cozinhar, mas fico mal humorada de ter que lavar louça, fico irritada porque tenho que ir ao supermercado e sempre, sempre falta alguma coisa na lista de compras ( que só existe na minha mente pq nunca fiz uma lista de compras).
Eu não sou meiga, doce, alegre e feliz como pensam que eu sou. Eu sou eu e isso inclui ser chata, insegura, ciumenta (e muito),agitada, falante,desastrada e desorganizada.
Eu choro a toa, eu brigo a toa, eu vivo a toa. Eu amo a profissão que escolhi e por isso trabalho muito mais do que deveria e não me importo, eu não tenho paciência com nada, eu odeio esperar e sou intensa em tudo o que faço. Quando eu gosto eu gosto muito e quando é pra odiar eu odeio muito. Eu não acredito em finais felizes, eu fujo de relacionamentos feito vampiro que foge de alho, eu só me apaixono por caras “sujinhos” e carrego o carma dos DJs, músicos e fotógrafos na minha lista de paixonites aguda. Eu fico irritada quando me deixam esperando, quando as pessoas não atendem ao celular e choro de soluçar quando me sinto frustrada e as coisas não saem da forma como eu queria.
Eu tenho a péssima mania de ter crises fortes de risos quando fico nervosa ou passo por situações tensas, por isso não ligue se me ver gargalhando num funeral ou dentro de um hospital, locais como esses me deixam nervosa, me fazem rir. Sim, sou incomum e to aprendendo a viver sozinha em todos os sentidos e seja isso mal ou ruim eu confesso que to adorando.
Eu entro em pânico se preciso falar em público, eu passo a maioria dos meus domingos sozinha e lendo em algum Starbucks da cidade, eu vou ao cinema e balada sozinha e não vejo problema algum em tudo isso. Eu não suporto pessoas mentirosas, falsas e sem papo. Não importa se você é feio ou bonito, tenha conteúdo, isso é importante (pelo menos pra mim).
Eu não quero casar nunca, mas quero ser mãe de possíveis seis filhos. Amo minha família, sou doida pelo meu sobrinho e quando estou com ele pareço uma tonta brincando de lutinha de espada e conversando com os amigos imaginários que ele insiste em criar para ele. Eu sou apaixonada e movida a música, mas desistir de tocar piano há uns bons anos atrás, eu já cantei em coral de igreja, eu comprei um violão e não sei tocar uma nota e eu continuo insistindo em continuar escrevendo mesmo sabendo que escrevo mal pra caramba.
Eu tenho um roteiro de cinema mal escrito e nada acabado salvo nos meus documentos do notebook, eu escrevi um livro infantil que não tenho coragem de mostrar para ninguém porque acho previsível demais, eu atualmente estou escrevendo um livro contando relatos curiosos, felizes e tristes sobre pessoas que um dia tomaram a decisão de dividir seu estomago ao meio.
Eu sou tímida e quando chego a novos ambientes me sinto insegura e demoro a tomar coragem de falar com alguém, isso faz com que muita gente me julgue como metida, mas queria deixar claro que não sou metida (eu juro) sou apenas tímida e tenho trabalhado muito isso com meu terapeuta que insisti em me fazer repetir diariamente para meu espelho do banheiro que sou linda, exercício que confesso quase nunca fazer porque é chato para eu ter que ficar repetindo algo que não acredito que seja verdade.
Eu nasci com o espírito da Madre Tereza de Calcutá dentro de mim e se pudesse eu passaria o resto da minha vida ajudando a humanidade inteira. Eu chorei quando vi a pobreza dos haitianos, eu fico indignada com a situação dos meninos de rua e mendigos do centro de São Paulo e se eu fosse adotar todas as crianças que eu já ajudei na vida não daria conta de cuidar de todas elas.
Eu danço no meio da sala sozinha, eu escuto música alta e canto bem desafinado junto, eu morro de preguiça de ir correr aos finais de semana e ir visitar meus pais em Atibaia é algo raro de acontecer porque odeio ter que fazer e desfazer mala. Eu amo a cidade onde nasci ,eu sinto saudade dos meus avós lindos e morro de vontade de comer a macarronada que só minha avó Giza sabia fazer. Eu sinto falta do ronco alto e odiavel do meu padrinho e de quando ele me dizia que ia me levar para ser modelo no Japão porque ia fazer sucesso.
Eu odeio o padrão de estética adotado no mundo, eu odeio as modelos magras e seus corpos retos. Eu sou feliz em carregar as coxas grossas que herdei da minha mãe, o quadril largo da família dos meus pais e cansei de tentar mudar isso depois que perdi os 50 kg resultado de um estomago pela metade. Eu nasci assim, eu vou morrer assim.
Sou insuportável quando to de TPM ( que mulher não é). Eu fico irritada, dou patada em todo mundo, choro porque dei patada a toa em todo mundo e como, meu deus, como eu como. É algo totalmente incontrolável, nasce dentro de mim uma necessidade instantânea de mastigar o dia todo, os sintomas duram uma semana e depois tudo volta ao normal.
Eu posso ser tudo isso, mas também posso não ser, portanto se mesmo assim você tem interesse em ser ou continuar sendo meu amigo (a) ficarei super feliz, pq se ninguém é perfeito porque eu deveria ser?

One thought on “Eu não sou quem você pensa que eu sou

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s