Zoé, Zoelandia

Era trancada em seu quarto e embaixo da sua cama que Zoé encontrava seu refúgio. Em meio a bonecas, ursos de pelúcia, lápis de cor e papéis tinha uma caixa especial que ganhou em seu aniversário de 4 anos e que ela mantinha escondida embaixo de algumas almofadas coloridas.
Zoé era uma criança especial e sensitiva quando ganhou a caixa pesada de madeira da sua avó recebeu somente uma recomendação: a caixa deveria abrigar as coisas mais mágicas da vida dela e era ali que ela depositava seus desenhos e seu mundo paralelo.
O mundo imaginário de Zoé era colorido, musical e feliz. As montanhas eram de chocolates, as arvores eram pirulitos gigantes e os frutos eram balas de goma, os habitantes do seu mundo andavam por ruas de gelatina laranja e os carros eram feitos de biscoito. Na Zoelandia as pessoas eram felizes, podiam ir e vir sem qualquer problema, comiam os frutos das árvores e bebiam livremente do rio de suco de uva e eram tão apaixonadas por aquele mundo fantástico que cuidavam bem dele.
Dia após dia Zoé prenchia a caixa mágica com desenhos do seu mundo colorido, com o tempo começaram a aparecer alguns personagens como o Sr.Maria, um biscoito arredondado e rechonchudo que colhia e comia confetes de cada arvore de pirulito que encontrava, a Sra.Ferrero um bombom pequeno e redondinho que era apaixonada pela Sr.Maria. Mas o personagem que Zoé mais gostava era a Muffim, um simpático bolinho que adorava levá-la para conhecer as novidades da Zoelandia cada vez que ela resolvia embarcar para lá.
Foi com o Muffim que Zoé escalou sua primeira montanha de chocolate, correu nas ruas de gelatina, saltou pelas nuvens de algodão doce e se empanturrou de confetes apanhado das árvores de pirulitos, as visitas de Zoé eram sempre rápidas e sempre cheias de aventuras.
A cada dia a caixa ia se enchendo de novos desenhos, novas histórias e novos personagens. Só que  garota começou a crescer e de repente ela já não conseguia mais se esconder embaixo da cama, suas bonecas já eram sem graça e para sua total tristeza ela percebeu que o mundo colorido e alegre que ela pintava e guardava em sua caixa não era nada igual ao mundo real em que vivia.
E toda a magia começou a se espairecer, o colorido que ela colocava em  seu mundo era  na realidade cinza, nublado, as nuvens de algodão doce, as ruas de gelatina e as arvores de pirulitos eram pura fantasia … O seu mundo imaginário estava bem longe de ser real.
Zoé ainda esconde sua caixa. Agora ela fica bem no alto do seu guarda-roupa e é nesse mundo colorido e infantil que ela ainda se refugia quando perde as esperanças no mundo em que é obrigada a viver.

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