Eu, ele e nosso relacionamento

Nosso relacionamento sempre foi tempestuoso e cheio de altos e baixos. Um dia acordava amando por demais e em outros odiava tanto que queria cavar um buraco e não sair nunca mais dali de dentro.
As discussões eram constantes. Vivíamos em conflito sobre mudar isso ou aquilo, ser maior ou menor, uma cor ou outra, de um jeito ou de outro. Era uma roda gigante de emoções que ficava girando sem parar e trazendo sempre novos questionamentos, novos descontentamentos e até um certo sofrimento. Era tão chato, desgastante e sem sentido discutir e brigar tanto com ele.Não existia paz, não existia satisfação plena e muito menos aceitação.
Buscava sempre descobrir como mudar as coisas, acreditava em tudo que me falassem que podia fazer com que as coisas entre eu e ele melhorassem, experimentava receitas mirabolantes, passava dias sem comer, corria, desistia de correr, agüentava algumas frases sádicas, chorava escondido em frente ao espelho do banheiro, comprava todas as revistas especializadas e tinha uma rotina frenética em busca de novas composições e formulas para fazer com que eu pudesse me encaixar no padrão adequado que se era dado para ele.
Passei fome, passei frio, fiquei doente, fiquei com dor e nada mudava o fato de não nos darmos bem e continuarmos no ciclo de discussões, mudanças e desinteresse. Ainda me lembro o dia que resolvi dar um basta e mudar de vez a situação. Peguei o telefone, liguei para alguém que pudesse me ajudar a resolver ou amenizar todo esse meu descontentamento em relação a minha relação com ele e vice-versa.
Depois quase dois anos posso dizer que nosso relacionamento está um pouco mais maduro e menos conflituoso. Ainda custo a aceitar algumas coisas e ainda passo algum tempo comparando ele com outros por ai, mas hoje, eu e meu relacionamento com meu corpo mudou. Aceitei que não existe padrão, que cada um tem seu biótipo, seu estilo, seu jeito.
Hoje vivemos em paz, sem grandes tormentos, sem grandes conflitos, apenas algumas discussõezinhas sobre uma gordurinha aqui e outra ali, mas aprendi que para viver bem como ele devo me aceitar e me amar deste jeito mesmo. Enfrento o espelho todos os dias e agradeço por não fazer parte do padrão imposto pela sociedade, por não ter a magreza exigida, mas por me amar assim, bem do jeito que eu sou.

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