Parte de nada

Estava cansado de perambular pelas ruas sujas e frias. Sentia frio, sentia fome e mais do que tudo isso: sentia necessidade se sentir parte de algo ou de alguém.
Dormia no chão, mendigava algumas moedas para conseguir algum alimento, passava frio, era mal-cheiroso, bebia para agüentar o inverno, usava a água da chuva para se lavar. Era simplesmente mais um integrante da parte ignorada pela sociedade.
Ninguém dirigia um olhar, ninguém perguntava seu nome e das poucas vezes que alguém arrisca a disparar algumas palavras era para negar um pedido ou apenas para xingá-lo.
Já tinha conquistado muita coisa na vida, já tinha perdido tudo. Reconquistou, perdeu de novo e nessa roda-gigante cheia de altos e baixos perdeu tudo e se perdeu. Não tinha casa, não tinha comida, não tinha roupas, não tinha dinheiro, tinha apenas um coração que mesmo gelado e talvez petrificado por tanto sofrimento ainda pulsava dentro dele.

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