Três anos

Foram três anos de convivência. Três anos partilhando sonhos, projetos, pensamentos, café, alegria, tristezas, trabalho e lazer. Três anos sentando no sofá pra assistir seriado enquanto ele dormia porque estava cansado, três anos discutindo para saber onde jantar ou que filme assistir, três anos de idas a cafeteria para ele ler jornal enquanto trabalhava nos projetos da faculdade. Três anos de incursões fotográficas. Três anos de carinho, cumplicidade, amizade e talvez um pouco de amor. Três anos pensando que daria certo. Três anos querendo ele como pai dos meus filhos. Três anos arquitetando passar o resto da minha vida ao lado dele.
Quase dois anos que descobri que existia outra. Quase dois anos que ouvi o som da aliança caindo no chão. Quase dois anos que passei a acreditar que amor não existe e que finais felizes é coisa de cinema e propaganda de margarina. Um ano sem ver, sem falar, sem saber se tava bem ou até mesmo vivo.
Um dia que reencontrei. Imaginei que isso poderia acontecer já que a ocasião reunia amigos em comum, mas resolvi arriscar e fui. A primeira pessoa que vi quando cheguei foi ele. Encostado em um pilar, do mesmo jeito de sempre, um desleixado que adorava. Os cabelos continuam desgrenhados, o All Star continua sendo o que dei de presente de aniversário e o sorriso ainda me deixa com as pernas bambas e com um frio na barriga.
Os olhares se cruzaram e por uma fração de segundos eu tentei imaginar que nada tinha mudado que ele ainda era o cara que eu amava e com quem planejava viver, os segundos acabaram e eu nem me dei conta que ele já estava bem próximo. Uma onda de calafrio passou pelo meu corpo quando ele me abraçou e confesso que segurei as lágrimas quando escutei a voz dele me dizendo olá.
Sensações e sentimentos que achei que não existiam mais percorreram pelas minhas veias e alcançaram o coração que parecia que ia explodir dentro do meu peito. Fiquei parada alguns minutos enquanto observava ele se afastar levando seu perfume junto com ele. Tremia.
Não nos falamos mais naquela noite apenas trocávamos olhares distantes que valeriam por qualquer palavra que ele pudesse dizer. Existia ainda muita dor, mágoa e descrédito, mas também existia ainda um fio invisível que nos unia e nos mantinha juntos mesmo separados.
Três anos atrás eu conheci um homem que mudou minha vida. Dois anos atrás eu resgatei a aliança do chão e pendurei no meu pescoço. Um ano atrás exclui ele da minha vida. Um dia atrás eu reencontrei. Uma hora atrás descobri que ainda tenho medo dos fantasmas daquela voz.

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