Devolveu ao moço

Nunca aguardou tanto que o interfone tocasse como naquele dia. Sentada em frente a TV ligada e totalmente inerte ao que se passava só tinha em mente um único pensamento: queria se livrar logo daquilo e virar a página.Com um salto levantou do sofá assim que ouviu o primeiro toque do interfone.
Finalmente. Sem muita demora pegou o objeto a tanto tempo guardado no fundo da gaveta e carregando firme em suas mãos como se fosse um pequeno tesouro entrou no carro que esperava no portão. Encarou os olhos castanhos que um dia pensou que só olhavam para ela e quando devolveu para quem pertencia a pequena caixa de veludo vermelha que ainda mantinha com ela e que continha o que ela achou que ia carregar no dedo anelar para o resto da vida sentiu-se aliviada.
Sem muitas palavras, sem muitas demonstrações de afeto, disse tchau e saiu. Voltou para casa pegou sua bolsa e foi encontrar os amigos. Depois de muito tempo sentia-se bem feliz, livre e pronta para recomeçar. Não tinha mais medo de abrir a gaveta porque os fantasmas do passado e do que poderia ter sido uma história bonita tinham ido embora para sempre.
Contente abria e fechava a gaveta todo dia na esperança de um dia voltar a ter a mesma caixa de veludo vermelha guardada lá dentro só que desta vez estaria vazia porque o conteúdo dela estaria devidamente colocado no lugar. Sim, ela estava esperando e totalmente pronta para o novo!

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