Aquele rockstar

Era uma sexta feira qualquer. Amigos, bar e uma chuva inesperada. Tudo caminhava para ser apenas uma noite como as outras, mas mesmo assim nada tirava de dentro dela a sensação de que algo inesperado aconteceria naquela dia.

Conversas, risadas, rodadas de cervejas, música e espiadas no campeonato da NBA que rolava na televisão. Ela estava inquieta, não sabia de onde vinha tudo aquilo, resolveu ir ao banheiro no piso superior do bar.

Ao voltar enquanto descia as escadas do outro lado abrindo a porta para entrar no recinto estava ele. Ficou sem ar, ele era mesmo mais lindo do que todo mundo dizia. O estilo, a roupa, a voz, o papo, a inteligência e os olhos. Olhos esses que cruzaram silenciosamente com os dela  naquele mesmo instante.

Ela já o conhecia. Quer dizer todo mundo conhecia. Ele era um rockstar. E não era qualquer um, era de uma das bandas mais conhecidas no país e ela conhecia cada música. E aquilo que ela jamais imaginou que poderia acontecer, estava acontecendo.

Noite terminando e olhares ainda se cruzando. Bar vazio, apenas a turma tomando a saidera de sempre quando finalmente ele chegou perto com um papo meio clichê e ela hipnotizada pelos olhos verdes e entontecida pelo sotaque (que era irresistível) tomou coragem e convidou para a esticadinha no boteco.

Mudaram de idéia no meio do caminho. Desistiram do bar e foram parar na casa dele. Conversaram sobre tudo. De música a bebida. E quando ela menos esperava ele a beijou. Mas não foi qualquer beijo. Foi aquele beijo que te tira do chão, do espaço, do tempo e do juízo perfeito.

Aqueles olhos, aquele sotaque. O cenário era perfeito, o conjunto era fascinante. O coração dela girava mais que a voz do John Lennon na vitrola. E então, foram mãos e braços, pernas e abraços, pele, barriga e seus laços.

Permaneceram abraçados até o último acorde de I’m Looking Through You soar pela caixa de som, estava amanhecendo e ela precisava ir embora. Enquanto se vestia sentia o olhar dele e em sua mente só passava um pensamento: Era verdade?

Pensou em dar um beliscão nela mesmo para ver se tudo não era efeito das poucas cervejas da noite passada, mas não foi preciso, ele a puxou e a beijou novamente. Olhou para ele e fechou bem os olhos querendo gravar cada segundo, cada sensação, cada cheiro, cada palavra. Ela gostou do charme, do groove, do papo e do perfume. Gostou do jeito que rolou. Gravou e gostou.

Tocava Let it be quando ela deu o beijo de tchau e escutou ele perguntando se a veria novamente um dia. Mil coisas passaram pela sua cabeça, queria deixar todos os contatos do mundo com ele, mas sabia que o que tinha acontecido naquela noite, não se repetiria, pelo menos não no mundo que ela estava acostumada a viver.

Olhou pela última vez para os olhos verdes dele e disse: A gente se cruza algum dia por ai.Fechou a porta e foi embora sem olhar para trás.

Ela ainda ouve suas músicas todos os dias e sempre que o vê na televisão sua mente volta para aquela noite, aquele momento, aqueles olhos, aquela voz, aquelas letras, aquele groove, aquele sotaque… aquele rockstar.

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