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Sobre eles e um doce dezembro

Dezembro era seu mês favorito, pelas festas de fim de ano, pelo clima bom e principalmente porque era o mês que ela finalmente reencontrava ele, que ela carinhosamente apelidou de seu ” doce dezembro”.
Se conheceram ainda adolescentes em uma viagem para Disney, se perderam juntos na casa do Mickey, fugiram para todos os países do Epcot Center e tomaram um banho de presente da baleia Shamu no Sea World.Hoje, riem quando lembram que foram severamente trancafiados numa sala porque furaram a fila na Universal Studios e comeram feijão doce porque não entendiam o cardapio do restaurante mexicano em Miami.
Voltaram para o Brasil naquele frenesi de qualquer casal de adolescentes apaixonados. Ela levava nos braços um urso enorme que ganhou dele de presente e ele usava a camiseta cuidadosamente escolhida por ela numa das tardes de compras.
A vida continuou, cada um para o seu lado, cresceram. Perderam o contato, já adultos, ela virou jornalista e se aventurava na Terra da Garoa e ele montou sua própria empresa de TI na Europa. Mais de dez anos depois ele encontrou uma foto dele e dela, abraçados a uma estatua enorme do Pluto, atràs da foto apenas três palavras: para sempre, nós! e as iniciais do nome dela.
Lembranças preencheram sua mente, dois adolescentes vivendo a intensidade de um sentimento e de repente uma vontade enorme de saber dela tomou conta dele por completo. Foi invadido por uma sensação de urgência tão grande que não percebeu que jà estava sentado em frente ao seu laptop buscando pelo nome dela na internet, e quase caiu da cadeira quando encontrou ela numa rede social qualquer.
Levou alguns dias para tomar coragem de enviar uma mensagem. Ensaiou algumas vezes mas, desistia bem na hora de clicar enviar, era covarde demais e tinha medo de como ela reagiria. “Nem deve lembrar de mim” julgava ele.
E perturbado por lembranças, finalmente tomou coragem e escreveu: “Ainda tenho dúvidas se é você mesmo, mas acho, que é você me abrançando nesta foto” e mandou o link da imagem.
Do outro lado do mundo deitada no chão do seu novo apartamento – que ainda não tinha móveis algum exceto uma cafeteira e um colchão – estava ela deitada olhando para o teto imaginando o dia que teria dinheiro para comprar mobilias para sua nova casa, irritada porque sabia que isso não aconteceria tão cedo, resolveu futricar a vida dos outros e achou estranho quando uma mensagem vermelha sinalizava uma nova solicitação de texto.
Era curiosa demais para esperar para clicar na mensagem, desistiu de invejar a vida dos outros, correu o mouse até o balão vermelho e clicou. Segundos de passaram até a mensagem abrir por completo, intrigada com o texto exitou em clicar no link, não fazia idéia de quem enviaria aquilo e a última vez que tinha clicado em um link estranho ficou sem computador por dias porque um vírus destruiu seu HD. Mas não resistiu, ” dane-se” pensou e clicou.
Só não caiu de cara no chão quando se viu ao lado do garoto na foto porque jà estava no chão. ” Como ele me encontro, meudels, mais de dez anos tinha se passado”.
Na mesma hora ela respondeu: “Existe uma grande possibilidade de ser eu! Agora pode me dizer como me encontrou?” Essa foi a primeira de uma série de milhões de mensagens.
Ela esperou quase dois meses até que chegasse dezembro e ele finalmente viesse ao Brasil. Se reencontram numa noite quente típica de final do ano, jantaram, conversaram, riram das lembranças do passado e finalmente se beijaram.
Passaram o restante do mês juntos. Ela mostrou os lugares que amava em São Paulo, ele ensinava ela falar grego, bebiam vinho gelado nos finais da tarde e tomavam café forte logo que acordavam. Ele trabalha enquanto ela escrevia seu primeiro livro e como dois apaixonados dançam na varanda do apartamento.
Foram dias lindos mas com data para terminar, ambos sabiam disso,por isso combinaram que não haveria despedidas no aeroporto e a palavra adeus seria trocada por até logo.
Não houve pedido de namoro, não teve promessas de finais felizes porque os dois secretamente sabiam que eles se amariam como se fosse para sempre e viveriam suas vidas mas não juntos.
E assim viviam. Se falavam pouco durante todo o ano, trocavam poucas mensagens.Ele ligava no aniversário dela e ela mandava café brasileiro para a casa dele.
De vez em quando ele quebrava protocolos e surprendia ela com uma chamada aleatória no Skype, e esperavam pacientemente o final do ano chegar, porque para eles o happy ending chegava no dia que o calendário anunciava que finalmente o “doce dezembro” começava e não importava onde estavam, neste dia, eles dançavam esperando o dia que se veriam novamente.
“Spotlight shinning, it’s all about us. Forever mine, forever yours, forever our sweet dezembro”

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