cora

Dure o tempo que você gostar de mim

Completaria 29 anos naquele ano e vinha pensando no assunto faz tempo. De repente muita coisa deixou de fazer sentido e passou a ser chato, por exemplo, viver sozinha.

“É muito solteiro apaixonado e muito casal fingindo que se ama” defendia ela fielmente nas conversas na mesa do bar com os amigos, até que um dia como num estalo enquanto preparava uma caneca de café fumegante que percebeu que não era mais nada disso.

Desejava voltar a ser a garotinha dos cabelos compridos que tomava chuva sem se preocupar com nada, que andava de bicicleta imaginando que estava explorando uma nova cidade, que dançava balé no meio da sala mesmo sem tocar nenhuma música, que dava todo seu lanche na escola para aqueles que nunca tinham nada na lancheira. Aquela menina que ficava nervosa quando errava a sinfonia de Mozart no piano, mas nunca desistia de tentar.

Queria ser novamente a menina que acabava com todo o papel higiênico da casa porque precisava ter o vestido de noiva imaginário com a maior calda do mundo para atravessar o corredor do quintal e dizer sim para alguém?

Foram tantas dores, finais, recomeços e frustrações que pensou em seguir sozinha para não mais se machucar e então percebeu que a vida de solteira já não está fazendo tanto sentido e quer observá-lo sem camisa, lendo o jornal de domingo na varanda. Quer viver uma paixão tranqüila, turbulenta de expectativas, avassaladora e sem promessas de para sempre.

De repente se viu querendo alguém que possa acordá-la com um abraço que fará o seu dia feliz, quer um homem que ela possa cuidar e amar sem receios de que está sendo enganada. Quer a alegria dos finais de semana juntinhos, as expectativas dos planos construídos, o grito de “gol” estremecendo a casa quando o time dele estiver ganhando… a cumplicidade em dividir os segredos.

Quer reclamar da bagunça no banheiro, rindo e gritando quando ele revidar puxando-a para o chuveiro, completamente vestida. Quer a certeza de abrir a porta de casa e saber que mesmo ele não estando, chegará a qualquer momento trazendo o brigadeiro da doceria que ela gosta tanto.

Quer beijar, cheirar, morder, beliscar, brigar e fazer as pazes. Quer toalha molhada em cima da cama, quer conchinha de madrugada, quer a perna dele em cima da sua enquanto assiste TV. Quer que dure o tempo que um gostar do outro e que só acabe quando o lado bom for menor do que ruim.

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