Untitled

– Desculpa, mas acho que não posso lidar com isso?

– É tão difícil assim? Ficar feliz com o que tá acontecendo comigo?

– Aham, quando sua felicidade me leva para longe de você, é.

– E agora, como lidamos com isso? Porque eu vou.

– Eu sei que você vai. Eu. Quer saber, não sei.

– Ah, como sempre. Você nunca sabe de nada. Não sabe o que almoçar, que cor de blusa colocar para trabalhar, que vinho comprar para o jantar, que horas marcamos no bar. Realmente, você não sabe de nada.

– Posso não saber disso tudo, mas uma coisa eu sei. Não sei lidar com isso, todo esse tempo longe, sei que é temporário. Mas não dá, não consigo. Não funciona.

– Não funciona? Como assim, não funciona. Peloamor, a gente faz funcionar.

– Quer parar, por favor? Não vai funcionar porque não sou eu que vou estar lá com você no seus 30 anos. Não sou eu que vou ver sua cara de pateta todo andando pelas ruas do lugar que sempre quis morar. Não vai ser pra mim que você vai ligar para comprar pão e chocolate. Não vou tá lá, entende? Consegue visualizar porque não vai funcionar ou quer que eu desenhe?

– A gente dá um jeito nisso tudo. Eu prometo!

– Não. Quero que me prometa outras coisas?

– Como assim, não to entendendo.

– Quero que prometa que vai aproveitar cada segundo e que vai me mandar postais de cada cidade que visitar. Me promete que vai me contar quando conhecer um gringo rústico, ruivo e barbado. Ele vai te oferecer um pint e você vai prometer que vai aceitar e enquanto ele fala que é musico e mostrar algumas de suas tattoos, vc vai mexer na sua orelha nervosa, dar um gole na sua cerveja quente e oferecer o sorriso torto que costuma dar quando está encantada. Quero que me escreva contando qual banco escolheu para chamar de seu no parque, quantas vezes se perdeu nas linhas do metrô e como são seus novos amigos. Quero fotos das milhares de roupas que sei que vai comprar, das centenas de cerveja que vai experimentar e dos muitos copos de café com noz moscada que vai beber enquanto pensa que está vivendo o melhor ano da sua vida. Pode me prometer?

– Não sei. Talvez.

– Vamos lá, preciso ouvir você dizer que promete.

– Você está terminando comigo?

– Não! Apenas estou deixando você livre para viver algo que esperou por muito tempo.

– Não quero ser livre.

– Me promete?

– Não quero prometer nada!

– Por favor, apenas uma palavra: prometo.

– Eu … eu … tá, prometo!

– Agora vou levantar deste banco, terminar minha cerveja, te dar um beijo e sair por aquela porta. Você não vai atrás de mim e eu não vou olhar para trás. Sua promessa começa agora.

– Mas …

Um beijo a calou e antes de sair pela porta ela conseguiu o ouvir dizendo:

– Apenas faça valer a pena!

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