Ela vive um filme

De tudo que imaginou que aconteceria nada daquilo estava previsto.

Em sua planilha no Excel, entre números e equações matemáticas, ele não estava incluído. Nem ele, nem o primeiro Oi num chat qualquer, nem o primeiro café da manhã e muito menos aquele primeiro beijo. Daqueles de tirar o pé do chão e perder o oxigênio.

No pacote dos seus planos, Londres não era cenário de uma história de amor. Mas a vida tratou de ser roteirista e o sincronismo o diretor. Juntaram-se e encontram os protagonistas perfeitos: ela, aspirante a poeta e ele, a inspiração.

Para ele qualquer coisa nela despertava uma canção, enquanto ela  – que sempre buscava em tudo um porque –  junto dele bastava estar, sentir e viver.

E sentados no sofá da casa dele o tempo voava pros dois. Nem todo tempo do mundo seria o bastante para eles que a cada dia vivido a dois provavam que a eternidade é só um instante.

Ela amava a sensação do corpo gelado dele encontrando o dela, ele sabia e talvez fosse por isso que se sentia perdidamente feliz ao deitar sua cabeça no travesseiro e se perder nos cabelos dela. Ela poderia ficar observando ele dormir por horas e encontraria uma maneira de eternizar cada minuto.

No ato 2, aqueles olhos, aquele sotaque. O cenário era perfeito, o conjunto era fascinante. O coração dela girava mais que a voz do John Lennon na vitrola. E então, foram mãos e braços, pernas e abraços, pele, barriga e seus laços.

Do roteiro não sabiam o fim, mas eles viviam um filme e secretamente esperavam um final feliz.

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