Nunca mais sozinha

Nunca mais sozinha, foi o que você prometeu quando invadiu minha vida com seu sorriso torto, sua risada rouca e suas composições.

Daí depois você me disse ao pé do meu ouvido que me amava e isso me fez mais forte, de supetão você arrombou a porta do meu armário e misturou suas camisas, camisetas, meias e cuecas nas minhas coisas. Dividimos a cama, o guarda-roupa, o café e o jantar. E aí toda noite antes de dormir você me segurava em seus braços e sussurrava de mansinho: eu te amo, nunca mais sozinha.

Nossos dias livres não tinham hora para começar, acordava preguiçosa com o cheiro das suas panquecas vindo da minha cozinha, passávamos boas horas na cama e o dia virava noite, a noite virava dia e tu estava ali, seu cheiro, seu cigarro, suas cuecas, sua vida.

E ai, um dia, você se foi. Meu apartamento não cheirava seu cigarro, seu violao não estava no canto da sala, sua voz não ecoava no corredor. A conta de luz diminuiu, sobraram gavetas no armário e a cama ficou grande demais para apenas eu.

Não mais você me abraçando para dormir, me beijando para acordar. Não mais você em meu banheiro, em minha sala, em minha cozinha. O apartamento ficou grande demais, tua ausência fazia barulho em todo lugar e para sempre sozinha …

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