Nossa pequena cozinha (Our little kitchen)

Sai do luto e me deixei lembrar de você.

Por dois minutos lá estava você descalço na minha cozinha, ainda com os cabelos molhados e cheirando ao meu shampoo.

Enquanto cortava os tomates você abria a garrafa de vinho. Juntos cantarolávamos a nossa música, e lembro de pensar quão impressionante era dois jovens como nós gostar tanto de nosso vinis mais antigos que nosso avós.

A casa cheirava a manjericão e azeite. Sua mão na minha cintura, sua boca no meu ouvido me convidando para dançar. “O spaghetti pode esperar, honey” você dizia e no meio da cozinha a voz rouca do Harry Connick nos fazia rodar.

Adorava o jeito que você piscava e sorria enquanto o vinho de nossas taças balançavam, você arriscava me impressionar com passos de dança naquela cozinha minúscula  – que por muito tempo foi nosso lugar favorito.

No fim da música você me beijava e trocava o vinil. Eu terminava de cozinhar ao som de Charles Aznavour e buscava ignorar seu sorriso de deboche nas minhas costas ao me ouvir tentar cantar em francês, fingindo estar brava eu dizia para você terminar a salada.

A música terminou com o bipe do microondas me avisando que a lasanha congelada estava quente. Meu jantar estava pronto e deixei você ir embora.

“Fomos felizes”, pensei enquanto apagava as luzes.

Out of mourning and I let me remember you.
For two minutes there you were barefoot in my kitchen, yet with wet hair and smelling my shampoo.
While I was cutting tomatoes while you opened the bottle of wine. Together we singing our music, and I remember thinking how awesome is two young people like we love so much of our vinyls more older that our grandparents.
The house smelled of basil and olive oil. Your hands on my waist, your mouth in my ear asking me to dance. “The spaghetti can wait, honey,” you said and in the middle of the kitchen Harry Connick made us dance.
I loved the way you blinked and smiled as the wine of our glasses shook, you risked impress me with dance moves into my tiny kitchen – which had long been our favourite place.
At the end of the song you kissed me and went to change the vinyl. I finished cooking listening Charles Aznavour and I tried ignore your smile of debauchery on my back while you heard me try to sing in French. I pretending to been angry with you said to you finish the salad.
The song ended with the beep of the microwave saying me that frozen lasagne was hot. My dinner was ready and I let you go.
“We were happy,” I thought as I turned out the lights.

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