Cinderella e meus trinta e poucos anos

Eu odeio conto de fadas, suas princesas enfadonhas e principes encantados que para mim nunca deixaram de ser sapos gosmentos e verdes. Não acredito em finais felizes faz muito, muito tempo.

Essa semana me rendi ao Reino Encantado da Disney e assisti a nova versão de Cinderella. O filme não me convenceu muito – apesar de confessar que achei a cena do baile íncrivel pelo ballet dos personagens  –  o roteiro é o drama de sempre. Mas, aguentei até o fim e quando as letras dos créditos começaram a subir percebi que ao contrário de todas as meninas ao meu redor eu ria a beça do final e passei a me perguntar quando foi que perdi o encanto de gostar de alguém.

Nessa mesma semana fiquei a observar um casal de amigos em seu comecinho de namoro. Ela ainda envergonhada quando os amigos contavam alguma história embaraçosa dela, ele ainda sem saber se beijava ela em público, aquela coisa que todo mundo assisti e suspira querendo viver algo parecido e eu? Eu continuei questionando a mim mesma sobre quando foi que deixei de querer isso.

No Tinder a Cinderella não teria chance alguma com nenhum “principe encantado”. Porque na geração dos relacionamentos mais fast food que um Big Mac demonstrar o que você se sente rápido demais faz o sapo pular fora rapidinho. Voltar para casa depois do baile pensando que o sapatinho  – que hoje pode ser seu Whatsapp – que deixou para atrás vai fazer o “principe” vir em busca de você prometendo amor eterno logo no dia seguinte é sentença de morte.

Sei lá, fico pensando se os 30 anos chegaram trazendo razão demais ou realidade de sobra. Se tive amores? Coleções deles. Se tive comecinhos de namoros cheios de bilhetinhos, borboletas no estômago e horas gasta em chats na internet? Inúmeros.  Se foram bons e inesquecíveis? Quase todos.

Mas daí, me lembro que também teve coração partido, dor, lágrimas e alguns ressentimentos e a razão chegando sem pedir licença apenas para te dizer “Tá vendo sua idiota, te avisei para não se envolver”.

E aquele pouquinho de Cinderella que você pensava que ainda existia dentro de você volta a ser gata borralheira e retorna pra cozinha varrer a sujeira da madrastra e costurar os vestidos das irmãs.

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