E foi por isso que a gente terminou – 3

Passei boa parte da minha vida acreditando que já amei alguém na minha vida, não me refiro ao amor que sinto pelos meus pais, amigos, sobrinhos, papagaio e o Abraão, meu peixe vermelho que morreu depois de eu alimentá-lo muito mais do que ele necessitava mas tô falando daquele amor que a gente acha que está preparada sentir por alguém.

Tudo começa na escola quando os contos de fadas são apresentados as pequenas princesas vestidas em horrendos uniformes escolares e daí, meus amigos, todos os nossos problemas estão para começar.

Depois vem aquela parte old fashion da família que indiretamente querem nos instruir a encontrar alguém para casar, ter uma linda casa e alguns bebês. Nas festas de familia, todas as tias cobram de suas sobrinhas solteiras um namorado e a velha pergunta “e o namorado?” faz a gente inventar uma conjutivite infecciosa para não ter que lidar com elas.

Lembro do meu primeiro amor de infância, eu acho que tinha uns sete anos e ele tinha seus quase 26. O Leandro era amigo da minha irmã mais velha e por meses eu passei horas desenhando corações pintados de Bic Vermelha com nossos nomes escrito em letras tortas de uma recém alfabetizada que se achava a garota mais feliz do mundo por possuir uma Bic 4 cores.

Acho que minha fixação por homens mais velhos começou no dia que Leandro – que flertava com a minha irmã – me pagou um picolé de groselha na praça da cidade. Era uma fim de tarde típica de verão, estava tão quente que o sorvete derreteu em minutos transformando meu rosto em um borrão pink e minhas mãos em açúcar. Nem eu e nem minha irmã mais velha ficamos com o Leandro, ele foi morar com a Alice no Canadá.

E a adolescência chegou trazendo com ela muitas espinhas, o aparelho nos dentes com elásticos coloridos estratégicamente escolhidos semanalmente e os garotos mais bonitos da escola.

Na escola era a “queridinha” de todo mundo mas o que ninguém sabia era que eu era a culpada por trancar todas as cabines do banheiro enquanto deveria estar resolvendo alguns problemas de matemática. O diretor apontava o dedo para todos os pestinhas que levavam advertências para casa e eu? Bem, digamos que não era (e nunca fui) uma pessoa de má indole, mas me divertia muito com isso.

Na hora do intervalo éramos um grupo de quatro mais eu, também conhecida como a Gordinha Simpática. Cinco garotas e eu era a única que parecia ter uns 10 anos mais que todas. Fazíamos tudo juntas, o tudo se resumia a lição de casa, trocar bilhetes escondidos na aula de ciência, andar de bicicleta depois da escola e comparar as respostas dos testes da revista Capricho.

Luci era a japonesa irmã gêmea da Carol. Juju, a loira mais bonita da escola fazia parte da gangue e antes de mim, vinha a Lili – também conhecida como “não leva desaforo para casa”. Um grande time.

Bom, costumavámos ser até descobrirmos o nada fantástico mundo de gostar de alguém. E quando a Juju roubou o Rafa da Lili – que não levava desaforo para casa – um Corpus Light sabor morango entrou na jogada e com quantidade bastante de laxante para manter um exército no banheiro por meses, o grande time se desfez assim como a Juju no hospital. E tudo foi descarga abaixo.

Colecionei pequenos amores por muito tempo em minha vida. Quando penso nisso, um enorme álbum de figurinhas se abre em minha mente e todas as faces dos meus pequenos amores aparecem para mim divididos em categorias como: valeu 1 real, valeu um centavo e valeu nada.

Mas, no meu álbum particular uma figurinha ganha uma página em destaque.

No centro da página com uma moldura dourada tem apenas um rosto, a única face de alguém que penso que até hoje eu amei de verdade: o seu. E foi você  também o responsável por estilhaçar meu coração em pedaços  dos quais tô até hoje tentando juntar de novo. E foi por isso que a gente terminou.

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