Mantenha-se calado

Não precisa dizer nada, eu já exatamente o que vai me dizer.

Sei que vai dizer que a culpa é sua, que sua covardia se fez mais forte mais uma vez.

Não quero ouvir o que tem para dizer.

Prefiro guardar o som da sua voz me dizendo o quanto estava linda naquela primeira noite que nos vimos.

Quero manter na memória aquela vez que você provou que me conhecia tão bem quando ao voltar do banheiro já tinha feito meu pedido, pq sabia exatamente o que eu iria escolher e nem esqueceu o molho extra.

Não, não diga nada!

Deixe eu ficar aqui sentada no sofá encarando o dia cinza lá fora enquanto imagino como poderíamos ganhar o mundo juntos. Como nossos planos se encaixam tão perfeitamente e como a gente junto funciona.

Me deixa bebericar mais uma caneca de café fumegante sentindo a dor da língua queimada enquanto meus dedos trêmulos lutam para enxugar as lágrimas.

Saber o que está para acontecer lateja mais.

Dói menos apenas imaginar o som da sua voz dizendo que tudo foi um grande erro.

Mantenha-se calado e não deixe me ir.

 

 

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Não toque a campainha

Feche a porta antes de entrar, mas não tranque com a chave.

Não precisa ser na ponta dos pés.

Entre invadindo tudo.

Faça barulho na cozinha enquanto pega as canecas para o café.

Deixe a água do chuveiro correr por mais tempo que necessário.

Derrube a toalha molhada em cima da cama.

Invada meu guarda-roupa.

Misture seus pares de meias a minha lingerie.

Jogue suas pernas nas minhas no sofá e roube o controle remoto.

Ocupe mais que a metade da cama e me abrace antes de dormir.

Me acorde com o cheiro de panquecas e o barulho da louça na mesa.

Vem que a casa agora tua. Entre, fique à vontade!

Não importa quantos dias com ele

Desde pequena aprendeu a contar os dias.

Contava quantos dias faltavam para as férias, quantos dias faltavam para voltar às aulas. Quantos dias ficava sem comer chocolate, quanto durava a dieta e também contava quantos dias ficava com ele.

Um dia resolveu não contar.

A equação matemática que criou para eles não era exata e morreu.

Descobriu que não importava contar.

Com ele os dias não tinham nem começo, nem meio e muito menos fim.

Contar era chato demais.

Se o momento durasse um minuto, duas horas, um dia, uma semana. O que importava não era contabilizar.

Era ter o som do sorriso dele em seu ouvido, era ouvir ele lembrando a cada segundo o quanto era ela linda.

Era sentir o beijo na testa, o cafuné das horas no sofá, o quinto café compartilhado.

Era parecer boba no telefone, sorrir para o celular e ouvir músicas cafonas que falavam de amor.

Era as mãos dadas, os milhões de abraços e beijos incontáveis.

Contar pra quê?

Sincronia

Apenas falar não era o bastante.

Tinha que ter mãos e braços. Pernas e abraços.

Tinha que ter olho no olho.

Verdades ditas.

Beijo de despedida.

(I don’t want to move away).

Sobre vida e carreira

Hoje completo 24 dias desde que voltei para casa. A sensação?

De que nunca foi embora!

Não que tenha anulado a experiência dos dois anos na Inglaterra. Isso jamais acontecerá! Mas voltar para casa, para seu país, seus amigos, sua família, sua comida, seu clima, sua carreira é como diz uma grande amiga, uma lindeza só!

Hoje completo também 10 dias que voltei a atuar novamente ao jornalismo, mai precisamente na assessoria de imprensa e aos livros. Diferente do que imaginei, o retorno foi suave. Foi maravilhoso.

A loucura do mercado editorial brasileiro, a pressão do cliente em sair na mídia, a celebração de cada resultado alcançado, o tesão (perdão pela palavra, mas nada exemplificaria o que sinto!) de voltar a ser o que sou: jornalista.

Isso não aconteceria sem uma pessoa. Alguém que sempre acreditou em mim e no meu potencial, alguém que me ensinou (e continua ensinando diariamente) sobre como ser empreendedora, mãe, assessora e jornalista.

O nome dela é Lilian Cardoso e sua caixa de magia tem nome: Lilian Comunica. 

Mãe da Catarina, esposa do Neto. Mentora de uma equipe de meninas maravilhas que atentas as suas orientações fazem da agência a única empresa de comunicação especializada em atender apenas ao mercado editorial.

Corajosa, destemida, visionária e dona do coração mais molengo do mundo. Entrou na minha vida uns quatro anos atrás e me ensinou muito, daí resolvi colocar a vida na mala e ir atrás de alguns sonhos e ela? Ela me deu aquele empurrãozinho que precisava. Fui, vivi tudo o que queria viver e quando voltei lá estava ela de novo abrindo portas e janelas para meu recomeço.

Com ela aprendo diariamente, não apenas sobre jornalismo, assessoria, mercado editorial e todo o blábláblá da comunicação. Aprendo muito mais que isso. Aprendo como ser cada dia a melhor mãe do mundo, como vencer num segmento onde em um segundo tudo pode mudar, como levar pancada, ficar machucada, mas  nunca desistir e levantar pra lutar.

Mais que minha “boss”. Minha mentora, minha amiga e um pouco da mulher que quero ser quando crescer.

À você, dona Lilian, meu muito obrigado!

(e um texto que foi lido em voz alta antes de ser publicado!) hehehe