Em um paraíso sem dia e sem noite

Aos treze pintou os cabelos de loiro, aos quinze já tinha os rascunhos dos seus primeiros textos.

Aos dezoito resolveu trocar o Direito pelo Jornalismo.

Aos vinte e quatro cortou o estômago ao meio e quebrou seu coração em pedaços pela primeira vez.

Aos vinte e cinco foi morar sozinha.

Aos vinte e oito trabalhava com livros, tinha um blog badalado e teve seu coração dilacerado pela segunda vez.

Aos trinta anos largou tudo e foi morar sozinha no exterior.

Ainda pequena sabia o que queria.

Foi lá e fez.

Prossegue, ainda sozinha.

E mesmo não ousando grandes previsões futurísticas, odiava o escuro que se encontrava.

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Dure o tempo que você gostar de mim

Completaria 29 anos naquele ano e vinha pensando no assunto faz tempo. De repente muita coisa deixou de fazer sentido e passou a ser chato, por exemplo, viver sozinha.

“É muito solteiro apaixonado e muito casal fingindo que se ama” defendia ela fielmente nas conversas na mesa do bar com os amigos, até que um dia como num estalo enquanto preparava uma caneca de café fumegante que percebeu que não era mais nada disso.

Desejava voltar a ser a garotinha dos cabelos compridos que tomava chuva sem se preocupar com nada, que andava de bicicleta imaginando que estava explorando uma nova cidade, que dançava balé no meio da sala mesmo sem tocar nenhuma música, que dava todo seu lanche na escola para aqueles que nunca tinham nada na lancheira. Aquela menina que ficava nervosa quando errava a sinfonia de Mozart no piano, mas nunca desistia de tentar.

Queria ser novamente a menina que acabava com todo o papel higiênico da casa porque precisava ter o vestido de noiva imaginário com a maior calda do mundo para atravessar o corredor do quintal e dizer sim para alguém?

Foram tantas dores, finais, recomeços e frustrações que pensou em seguir sozinha para não mais se machucar e então percebeu que a vida de solteira já não está fazendo tanto sentido e quer observá-lo sem camisa, lendo o jornal de domingo na varanda. Quer viver uma paixão tranqüila, turbulenta de expectativas, avassaladora e sem promessas de para sempre.

De repente se viu querendo alguém que possa acordá-la com um abraço que fará o seu dia feliz, quer um homem que ela possa cuidar e amar sem receios de que está sendo enganada. Quer a alegria dos finais de semana juntinhos, as expectativas dos planos construídos, o grito de “gol” estremecendo a casa quando o time dele estiver ganhando… a cumplicidade em dividir os segredos.

Quer reclamar da bagunça no banheiro, rindo e gritando quando ele revidar puxando-a para o chuveiro, completamente vestida. Quer a certeza de abrir a porta de casa e saber que mesmo ele não estando, chegará a qualquer momento trazendo o brigadeiro da doceria que ela gosta tanto.

Quer beijar, cheirar, morder, beliscar, brigar e fazer as pazes. Quer toalha molhada em cima da cama, quer conchinha de madrugada, quer a perna dele em cima da sua enquanto assiste TV. Quer que dure o tempo que um gostar do outro e que só acabe quando o lado bom for menor do que ruim.

Doce expectativa

Passou dias imaginando como seria. Pensou detalhadamente em várias opções de roupas, o que fazer com o cabelo e que make-up combinaria com tudo isso. Seria especial, queria que fosse, tinha que ser e ela faria o que tivesse que fazer para que isso acontecesse.
Tentava não criar expectativas quanto aquilo, na realidade não queria se empolgar demais sem ter certeza do que poderia vir pela frente, mas era impossível, sonhava com os possíveis diálogos, imaginava como seria o sorriso, a voz, o cheiro e o papo. Boa parte das suas noites treinava seus melhores sorrisos no espelho, ensaiava um: Oi, tudo bem e ainda arriscava tentar alguns olhares que insistiam em dizer para ela que eram de matar.
A semana passou lentamente e a cada mensagem trocada virtualmente mais ela sentia um misto de curiosidade e interesse crescendo dentro dela. E finalmente o dia chegou. Um dia do jeito que ela mais gostava: ensolarado e frio.
Acordou bem tarde, enrolou na cama e tomou coragem para se arrumar. Tomou um banho quente e demorado, preparou um chá de hortelã, secou o cabelo. Se vestiu, não gostou. Tentou outra combinação, odiou. Desencanou.
Cuidadosamente se maquiou, espirrou seu perfume favorito e quando achou que estava pronta foi consultar o espelho. Gostou do que viu e antes que pensasse em mudar alguma coisa pegou a bolsa e partiu.
A mistura do vento frio, o pôr do sol e suas expectativas a deixavam animada. Ela gostava dessa sensação de não saber o que seria e como seria. Era do principio que as coisas que acontecem de surpresa e sem planos fluem naturalmente e são boas.
Chegou. Ficou atenta ao local, as pessoas e o que estava acontecendo e viu. Sentiu borboletas no estomago, sentiu um calafrio e pensou consigo mesma: É, porque não? E foi com esse pensamento que sorriu, não foi um sorriso daqueles treinados em frente ao espelho, mas foi o sorriso natural dela, daqueles que dizem mais do qualquer palavra, aquele que costumam dizer que é o que ela tem de mais lindo.

Passou dias imaginando como seria. Pensou detalhadamente em várias opções de roupas, o que fazer com o cabelo e que make-up combinaria com tudo isso. Seria especial, queria que fosse, tinha que ser e ela faria o que tivesse que fazer para que isso acontecesse.Tentava não criar expectativas quanto aquilo, na realidade não queria se empolgar demais sem ter certeza do que poderia vir pela frente, mas era impossível, sonhava com os possíveis diálogos, imaginava como seria o sorriso, a voz, o cheiro e o papo. Boa parte das suas noites treinava seus melhores sorrisos no espelho, ensaiava um: Oi, tudo bem e ainda arriscava tentar alguns olhares que insistiam em dizer para ela que eram de matar.A semana passou lentamente e a cada mensagem trocada virtualmente mais ela sentia um misto de curiosidade e interesse crescendo dentro dela. E finalmente o dia chegou. Um dia do jeito que ela mais gostava: ensolarado e frio.Acordou bem tarde, enrolou na cama e tomou coragem para se arrumar. Tomou um banho quente e demorado, preparou um chá de hortelã, secou o cabelo. Se vestiu, não gostou. Tentou outra combinação, odiou. Desencanou.Cuidadosamente se maquiou, espirrou seu perfume favorito e quando achou que estava pronta foi consultar o espelho. Gostou do que viu e antes que pensasse em mudar alguma coisa pegou a bolsa e partiu.A mistura do vento frio, o pôr do sol e suas expectativas a deixavam animada. Ela gostava dessa sensação de não saber o que seria e como seria. Era do principio que as coisas que acontecem de surpresa e sem planos fluem naturalmente e são boas.Chegou. Ficou atenta ao local, as pessoas e o que estava acontecendo e viu. Sentiu borboletas no estomago, sentiu um calafrio e pensou consigo mesma: É, porque não? E foi com esse pensamento que sorriu, não foi um sorriso daqueles treinados em frente ao espelho, mas foi o sorriso natural dela, daqueles que dizem mais do qualquer palavra, aquele que costumam dizer que é o que ela tem de mais lindo.