Em um paraíso sem dia e sem noite

Aos treze pintou os cabelos de loiro, aos quinze já tinha os rascunhos dos seus primeiros textos.

Aos dezoito resolveu trocar o Direito pelo Jornalismo.

Aos vinte e quatro cortou o estômago ao meio e quebrou seu coração em pedaços pela primeira vez.

Aos vinte e cinco foi morar sozinha.

Aos vinte e oito trabalhava com livros, tinha um blog badalado e teve seu coração dilacerado pela segunda vez.

Aos trinta anos largou tudo e foi morar sozinha no exterior.

Ainda pequena sabia o que queria.

Foi lá e fez.

Prossegue, ainda sozinha.

E mesmo não ousando grandes previsões futurísticas, odiava o escuro que se encontrava.

Advertisements

Date me

I pull the blanket in the middle of the night and I didn’t get up to close the window and I always leave you cold and I don’t care. I just turn to side and double my legs on top of his left leg and immobilize you as I don’t want to leave you leave. And when you move under the blanket I speak in a whisper: we can fit in the same space and that the laws of physics are wrong when they ignore hugs.

I usually cry for anything and you know that you might not know will comfort me because it is not so good in the words, no worries, I know about this. And do not be angry if I ever tell you that I just want to wrap myself in a blanket and keep me alone, you have nothing to do with it.

Just know that I have a mole on his left thigh in the shape of heart that I always hide with my skirts, I wear red,yellow,orange trousers, because they is my favorite color.

I never stop and I’m always trying to photograph every step I take as my register my story, as if my eyes are interchangeable lenses that take turns to put together an album of my memory.

I just want to find someone that tell me everything that has ever lived a day. I accept unpredictable scenes,cuddle,kiss on the forehead and I promise that I will not pull the blanket.

I just hope for a beautiful cliché of a Saturday night, to be able to exchange the streets by the room, the popcorn, the pajamas and you playing with my hair and kissing my forehead .

I’m the kind of girl you can talk about everything . With me you can sit with your coffee mug and just stare at my face and when I tell you I love you and I can be wrong often and but when I’ll try to whisper in his ear something, spell some feelings, writing in prose or poetry what you mean to me, please, you can drop your smile and say everything that you keep inside you.

Actually, I could play a few songs clichés and ask you for dating me in a sunny afternoon in the park. But first I need to learn the guitar because I still don’t know. But I know something about love song and about you.

__________

Eu puxo a coberta no meio da noite e não levanto pra fechar a janela, sempre te deixo com frio e nem ligo, apenas viro para lado e dobro as minhas pernas em cima da sua perna esquerda e te imobilizo como se não eu quisesse te deixar sair dali. E quando você se mexe debaixo do cobertor eu falo baixinho, num sussurro, que nós cabemos no mesmo espaço e que as leis da física se enganam quando desconsideram abraços.

Eu costumo chorar por qualquer coisa e sei que talvez você não vai saber me consolar porque nem é tão bom assim nas palavras e não fique bravo se um dia eu te dizer que quero apenas me enrolar num edredom e ficar sozinha, você não tem nada a ver com isso.

Apenas saiba que tenho uma pinta na coxa esquerda em forma de coração que sempre escondo com as minhas saia e que visto calças verdes, vermelhas, amarelas e laranjas, minha cor preferida.

Eu nunca paro e estou sempre tentando fotografar cada passo que dou como se o meu registro contasse minha história, como se os meu olhos fossem lentes intercambiáveis que se revezam para montar um álbum da minha memória.

Eu só quero me achar em alguém e falar tudo o que já vivi um dia. Eu aceito cenas imprevisíveis, doçura, cafuné, beijo na testa e promessas de que eu não vou mais puxar o cobertor.

Eu só espero por um clichê bonito de um sábado à noite, de poder trocar as ruas pela sala, pela pipoca, pelo pijamas e por você brincando com o meu cabelo e beijando minha testa.

Eu sou o tipo de garota que você pode conversar sobre tudo. Comigo você pode sentar com sua caneca de café e apenas ficar olhando pro meu rosto e quando eu te disser que te amo e que vou errar muitas vezes e  tentar sussurar no seu ouvido alguma coisa, soletrar alguns sentimentos, escrever em forma de prosa ou poesia o que você significa para mim, por favor, você pode soltar esse seu sorriso frouxo e dizer tudo o que você guarda.

Na verdade, eu poderia tocar algumas canções clichês e pedir você em namoro numa tarde ensolarada no parque.  Mas, primeiro eu preciso aprender a tocar violão, porque eu ainda não sei. Mas, eu sei alguma coisa sobre música de amor e sobre você.

Hey, okay?

Seus dramas não são mais meus, seus projetos não me pertencem mais, seus sonhos não são mais os meus. Seu piano não toca mais nossa música, o cheiro do seu cigarro não está mais impregnado em minhas roupas. Meu shampoo dura quase um mês, meus planos agora são apenas para um. Eu, e só eu.

Errei, quebrei o silêncio que prometemos. Meu mundo estava tão redondo sem você, tudo girava na órbita perfeita, até eu apertar o send no meu Whatsapp.

Dói, sabe?

Dói saber que outra pessoa vive onde nós deveríamos viver. Dói saber que todas as canecas, pratos e copos que comprei para sua casa agora estão sendo usados por outra. Dói saber que ela costurou o rasgo da almofada da sua sala, que ela aprendeu como você gosta do café e que agora ela também sabe a sua receita de panquecas secreta.

Meu coração retorce em dor quando vejo que agora todas as canções que tu escreve são para ela.  Fico feliz porque sei que você está feliz, porque ela te faz tão bem quanto eu fiz. Mas dentro de mim, dói.

Dói saber que ela carrega no ventre uma parte de você, um pedaço que um dia perdi.

Dói sabe, dói.

O homem que podia tratar o coração dela

É apenas o moço que a encontre num dia ensolarado, nublado, chuvoso, com névoa e não  diga que ela está bonita, porque ela sabe que não está. É o garoto que acerte a cor dos olhos dela numa brincadeira qualquer.

É aquele que pode estar na fila do pão, ser amigo de algum amigo, ou a gerente do banco, ou a colega de faculdade, aquele que seja as aspas, as reticências, o parágrafo, o travessão. Que seja tudo, mas que não seja nada.

O moço que não diz que ela está linda e magra na TPM, porque ela sabe que ele mentiu. Ela está sempre gorda, um pouco feia, chorosa e raivosa. Aquele que garanta a ela muitos tantos, beijos, toques, olhares, filmes de fim de tarde, cheiros de perfume novo, dias de dormir de conchinha, minutos de ligações intermináveis.

O rapaz que dorme e briga com ela. Aquele homem de barba ruiva que ela tem orgulho de mostrar pro mundo, porque ele a coloca para cima,  fala umas verdades, faz pensar na vida, faz se sentir uma pessoa melhor. O garoto que traz café na cama, dá um beijo de surpresa, vê ela sem maquiagem e enxerga muito, mas muito, além do que se vê.

O menino que ela queira como pai dos seus filhos e que todos eles tenham os olhos, a boca e o nariz dele. O tipo de cara que sabe sair da rotina e se encante com algumas aventuras de vez em quando.

Ele não tem nome, não tem idade, não tem país de origem. Ele não existe mais.

Dois prá la e dois pra cá

Sabe como gosto do café forte e quente. Sabe que fui eu que tomei a iniciativa.

Sabe que fui eu escrevi antes, liguei primeiro só para ter a voz dele só para mim.

Ele sabe que ignorei todos meus os machucados que meu ex deixou em mim.

Ele entendeu meu silêncio e fui eu que disse sim.

Ele sabe o que foi ruim, o que foi bom. Ele sabe que foi para ele que escrevi coisas lindas, ele sabe que eu sei que ele não entendeu um terço do sentimento que tentei colocar em tudo o que escrevi. Ele sabe que fui ousada demais.

Ele sabe que amo o Corinthians, que tenho medo de barata e que odeio o trânsito de São Paulo. Sabe que minha banda favorita é o Beatles, que já bati o carro duas vezes, que odeio chuva e que amo sorvete de morango.

Ele sabia que deveria ter me comprado flores e segurado minha mão. Que deveria ter me dados todas suas horas livres e me chamado para todas as festas porque era com ele que eu queria dançar.

O nome dele é Pedrol. Ele sabe tudo sobre mim.

Sabe até  que agora é tarde demais.