Snapvlog: Tinder dá pé?

aprimoramos

Um dia brinquei de Giro no Tinder no meu snapchat e choveu de mensagens: volta, volta volta!

Era para ser uma brincadeira que já faço com as amigas! Daí estendi para a rede do fantasminha um dia que tava à toa e pensei: poxa, já falo e faço tanta tosquisse no meu snap, pq não contar histórias que coleciono? Afinal, dou um pouco de diversão aos exalamos apenas 20 e poucos seguidores.

Porque, meus queridos, histórias é o que não faltam. Então, o giro do Tinder virou um lance semanal. Toda quinta, em um horário qualquer! E agora chama: Tinder da pé?

Uma brincadeira com bicho do pé! Mentira!

Ah, e para quem não sabe estou preparando meu canal de sobrevivência aos 30 no Youtube. E, ÓBVIO, que o Tinder da pé? vai migrar para lá em breve. SO SO SOON!

Então, meu stand up da vida real acontece no fantasminha semanalmente e se não me segue ainda, me procure: pollymariah.

(já posso avisar que de lá não sai nada de útil que não seja chororô, dancinha, palhaçada e alguma coisa boa!).

Foi por isso que a gente terminou – 2

http://www.youtube.com/watch?v=OQM5-Ks64is A palheta quebrada que me deu no dia que nos conhecemos é uma das coisas que guardei na caixa. Colei elas com durex, como alguém que cola os pedacinhos de um coração dilacerado e tomei todo o cuidado do mundo para preservar o que você tinha escrito nela com aquela canetinha vermelha que roubou do barman, com aquele garrancho torto você escreveu tudo junto “medá” tava de um lado e “umbeijo” do outro. Você tinha que ser músico, óbvio. Ainda posso sentir o cheiro de cigarro contrastando com o chiclete de menta que mascava e seu perfume, meio tímido passou por mim que estava sentada no balcão do bar e piscou indo fumar no frio de São Paulo – eu nunca entendi como você preferia enfrentar o vento gelado cortando seu rosto a esperar para fumar um cigarro. Tentei resistir, eu juro. Pedi um cigarro para o barman e fui atrás de você, fiquei ali batendo os pés na calçada judiada da Rua Augusta tentando não pensar nos meus ossos congelando lentamente, coloquei o cigarro na boca e pela primeira vez encarei seus olhos castanhos esverdeados. Rapidamente você tirou o esqueiro do bolso e na minha primeira tragada descobriu que fumar não era do meu costume, porque me afoguei em toda aquela fumaça e tossi até meus olhos encherem de lágrimas. Naquela hora pensei que tinha te perdido, confesso! Estava errada, você tirou o cigarro da minha boca e jogou no chão. Murmurando alguma coisa clichê como “fumar faz mal pra saúde, larga mão dessa porcaria” enquanto pisava nele chutando para se misturar as milhares de bitucas que entupiam a sarjeta. Não disse uma palavra mais apenas me pegou pela mão e me conduziu de volta ao calor do bar, sentado ao meu lado você nem se deu ao trabalho de perguntar o que queria beber, pediu ao barman dois Jack Daniels e deslizou o copo reluzente e sem gelo para mim. Sorri meio sem graça e levantei meu copo pedindo cheers. Você não me beijou aquela noite, eu não deixei. Não queria que roubasse um beijo carregado de álcool, definitivamente você não era o tipo de cara que valia uma noite só. Conversávamos sobre música, cinema, literartura,política mas não discutimos religão. Você tocou mais um monte de rock setentinha que amo e fechou a noite me dedicando Bob Dylan apenas com o olhar. Você me ganhou naquela hora. No fim da noite beijei a palheta que me deu e guardei no bolso prometendo a você que atenderia sua ligação, te abracei e fui embora. No dia seguinte você não ligou e o jeans com a palheta ainda no bolso foi mandado para a lavanderia. Demorou três longos dias para você ligar, eu quase nem atendi a ligação. Estava lidando com um dia caótico, um editor maluco e um deadline de duas horas. Mas você insistiu e me venceu pela curiosidade, não fiquei com seu número e quando ouvi sua voz dizendo alô eu sorri. Devagarinho você foi ganhando espaço na minha vida, fui deixando você entrar no meu dia, nos meus jantarzinhos improvisados, nas festas de aniversário dos amigos, nas noites em claro tentando fechar um texto para o jornal, nas roupas espalhadas pela casa até ganhar espaço no meu guarda-roupa e ao lado esquerdo da minha cama. Aos fins de semana nós abriamos o guia da Veja SP e num minha mãe mandou escolhíamos uma padaria qualquer em São Paulo que prometia um café da manhã íncrivel e lá sentávamos por horas com nossos jornais, revistas, livros e muitas xícaras de expresso duplo e pão na chapa. As notícias eram comentadas de tempos em tempos. “A situação tá feia para a presidenta” você dizia e eu respondia  “O novo filme do Woody Allen está sendo fortemente criticado pela imprensa” e daí você sorria e pedia mais um café porque não fazia ideia de quem era Woody, mas adorava Frank Capra tanto quanto eu. E o dia terminava com a gente no sofá esperando o delivery da comida chinesa. Perdidos em pequenas caixas de arroz de jasmim, frango com gengibre e biscoitos da sorte conversávamos muito sobre absolutamente tudo e nada. “Para de enrolar, quebra logo seu biscoito” eu disse esticando as pernas para apoiar meus pés na mesinha da frente. Com um aperto certeiro o biscoito virou uma farofa nas suas mãos “Beije quem você ama agora” ele disse e me beijou, seu hálito era uma mistura de cerveja, gengibre e doce do biscoito. “Não estava escrito isso” eu disse fazendo biquinho e tentando resgatar o pequeno papel de suas mãos. Pareciamos duas crianças pulando uma em cima da outra no sofá, até que por vencido você caiu no chão. Eu ganhei a luta tirando o papel de suas mãos. “A verdade te libertará” li em voz alta e o que poderia ser uma premonição ficou no ar. Juntei as caixas de papel engorduradas e as garrafas de cerveja na pia da cozinha enquanto você procurava algum filme na televisão. No dia seguinte você me acordou querendo me surpreender com um café na cama. Achei a atitude tão fofa que jurei para eu mesma que iria ignorar que o pão de queijo ainda estava gelado, os ovos mexidos estavam apimentados demais e eu não tomo leite. Você apareceu todo atrapalhado tentando abrir a porta e equilibrar a bandeja ao mesmo tempo. “Bom dia, dorminhoca” disse colocando tudo num canto da cama. Eu ainda mantinha a cabeça no travesseiro antes de pensar em responder algo: Por favor, é domingo e ainda são 9 da manhã. Mudei minha ideia quando devagarinho abri meus olhos e te vi sentado, sorrindo ainda vestindo suas calças de pijamas xadrez. “Bom dia, tiger”. Como uma blusa em promoção, um doce na vitrine da padaria você sempre estava lá. Eu não nunca te procurei e agora você era tudo o que queria. E quer saber? O negócio de ter o que seu coração deseja é que seu coração não sabe o que deseja até aparecer. E foi por isso que a gente terminou.

Por isso a gente terminou

Estou contando para todo mundo porque a gente acabou. Falar de você ainda é tão prazeroso que apenas reunir os amigos para contar todas as nossas histórias não era o suficiente, então, resolvi escrever como um pequeno texto contando toda a verdade.

A verdade? A pura verdade, é que porra, eu te amei demais.

No fundo do meu guarda-roupa encontrei cheia de poeira uma caixa de sapatos da Shoestock, depois de um crise de espirros – porque você já estava acostumado com minha rinite alérgica pronta para atacar em qualquer segundo – eu resolvi remover a tampa. Claro que dei aquela boa assoprada em todo aquele pó cheio de ácaros antes de lidar com a lembrança da nossa primeira grande briga. Até hoje não acredito que foi por causa de uma caixa de papelão.

Eu te avisei que era melhor você ir jogar peteca com seus amigos, mas você insistiu que ia ser divertido passar a tarde de sábado fazendo compras comigo e até disse que um dos seus amigos lhe falou que o café gratuito que a loja fornecia aos enfadonhos acompanhantes valia a espera. Você esperou.

Tão bonitinho, você ficou ali sentado me vendo experimentar todos os sapatos que achava legal. Ria quando eu tropeçava no saltos altos e até me ajudou a brigar com aquela velha doida que queria roubar as únicas sapatilhas amarelas neon que achei no meu número. Daí depois, te puxei pelo colarinho daquela camiseta do Rolling Stones que eu O_D_I_A_V_A para a seção de bolsas.

Ainda consegui ouvir o som da sua risada fazendo piada com aquela bolsa verde limão plastificada, você colocou ela nos ombros e desfilou fazendo a cena entre as araras arrancando olhares suspeitos das mulheres que não sabiam se escolhiam um modelo caramelo ou um marrom, o que para você era o mesmo. Eu estava ali no mesmo dilema de todas as mulheres do corredor quando você me assustou me abrançando e dizendo que esquecesse o marrom e apostasse no preto “Porque eu li numa revista enquanto esperava no dentista que preto é básico” você disse me beijando na orelha. Você cheirava a limão misturado com aquele cheiro de couro.

Por várias vezes naquele dia pensei que era sortuda de ter escolhido você. Mas, depois veio aquela fila infernal para pagar, aquela loira carregada de sacolas que resolveu que não calçava 40 mas 39 e pediu para trocar todos os pares de sapatos enquanto todo mundo só queria pagar a conta e ir tomar sorvete. Minha vez chegou, você me empurrou para o caixa e esperou pacientemente ele processar minhas compras, você lembra do cabelo bizarro do atendente? Aquele topete de gel asqueroso e ele era fanho!

E precisou me perguntar três vezes para eu entender se eu queria caixas para os sapatos e foi aí que a gente brigou. Eu disse sim, você disse não. Eu perguntei por que? Você disse que fazia volume e que meu apartamento já era pequeno para mim imagina com mais caixas. Eu me ofendi, achei que estava tirando sarro por eu viver num cubículo no centro de São Paulo e falei pro atendente que queria caixas e uma sacola para cada item que comprei.

Quase carreguei a fila inteira comigo até a porta, pedindo desculpas e empurrando as canelas de todos mundo com aquelas sacolas e caixas. Acho que atropelei uma criança, mas não lembro direito porque não olhei para trás com medo da possível ira materna que poderia vir atrás de mim. Fui direto para o carro, você emburrado me seguiu e depois de prender o cinto falou que não precisava fazer aquela cena toda e pediu desculpa.

Eu orgulhosa desde do meu primeiro dia de vida, te ignorei. Não ia te perdoar tão fácil, mas na verdade já tinha te perdoado desde que dei partida no carro. Quando cheguei no meu apartamento que você tinha razão quase não cabia eu deslizei as sacolas corredor adentro e joguei todas as caixas fora, mas guardei apenas uma. Queria manter na lembrança nossa primeira discussão.

Ainda naquele mesmo dia depois da gente ter lambido as caixas de comida chinesa do restaurante suspeito da XV de Novembro, quebrar nossos biscoitos da sorte e entupidos de comida cairmos no sono deitados de qualquer jeito de transversal na cama você tropeçou na caixa para chegar ao banheiro e voltou pra cama com a cara amassada e cheia de migalhas de biscoito. Eu ri.

Mesmo amassada nomeei aquela caixa branca e agora meio torta como nossa Pandora. Agora abrindo a tampa eu sorrio ao ver que escrevi de caneta preta meu poema favorito de Fernando Pessoa.

Eu não te amo mais, óbvio que não, mas ainda tem coisas que gostaria de falar. Você sabe que sempre desejei ser escritora, mas você nunca leu de verdade todos os livros que escrevo na minha cabeça e foi por isso que a gente terminou.

Algumas coisas sobre ele

  • Seu cabelo era mais bonito que o meu.

Bem cortado, limpo, brilhante e num castanho que eu dava meu rim para ter igual. Seus cachos faziam ondas em sua testa e no pescoço e deixavam seu rosto quadrado ainda mais perfeito. O aroma de menta de seu shampoo misturava ao seu perfume e podia passar horas colada nele apenas respirando “seu cheiro”.

  •  Ele me ouvia.

Não como meu amigos, meus pais e minhas irmãs. Calmo, sereno, tranquilo ele ouvia cada palavra que eu dizia como se estivesse saboreando cada uma delas como um pedacinho de chocolate que você coloca na sua boca e deixa derreter lentamente aproveitando todo o sabor que pode extrair dele. A expressão do seu rosto me incentivava a falar mais sobre mim, sobre de onde vim e sobre o que quero estar fazendo daqui dez anos, eu conseguia discernir enquanto falava se ele achara ridiculo ou impressionante. Sua expressão nunca mentia.

  •  Ele não era o cara mais bonito da cidade, mas era o mais encantador.

Quer clichê mais usado ao descrever sua primeira impressão de alguém do que dizer “Seus olhos brilhavam” “Eu não conseguia parar de olhar” “Ele tinha algo diferente” “Era seu sorriso torto” “Suas mãos grandes, talvez?” . Pois usarei todos eles! E mesmo que se em cada esquina daquela cidade eu encontrasse alguém que poderia ser um pouco mais bonito que ele, para mim ele era o efervescente, incandescente, lumininescente e todos os “escente” que você imaginar

  •  Sua voz era de matar.

Rouca, não tão baixa e com um sotaque português que me fazia perder meu lugar no espaço. Ele falava baixinho quando queria chamar minha atenção e fazia perguntas inteligentes, sinceras e carregadas de diversão e alguma ironia. Assistindo ao pôr do sol no Cais do Sudré ele me perguntou “Você acreditar que existe vida em Marte?”  e logo emendou “Você está prester a beijar seu primeiro marciano” e me calou com um beijo, o primeiro dos muitos que ele me roubou.

  •  Ele sabia como beber.

Ele bebia muito, mas com alguma moderação. Bebia despreocupado e alguma arrongância ao encher seu copo mesmo antes dele estar vazio, me ensinou a apreciar a quantidade certa de Ginja no copo e a temperatura ideal para deixar seu Moscatel refrescante como “o vento num dia de verão” sussurou no meu ouvido ao me estender o copo transpirando por causa do gelo.

  •  Ele me enxergava.

Não apenas como uma pedaço de carne pronto para ser comido. Ele conseguia me enxergar de um jeito assustador, sabia antes mesmo de eu pedir que eu estava sedenta por água, antes de eu reclamar que o sol estava queimado meus ombros ele já estava me oferecendo protetor porque ele me via além dos meus olhos. “Você se sente em casa aqui e ameniza sua saudade de casa” ele me disse um dia enquanto eu me espreguiçava depois de um cochilo “Você não precisa me dizer, eu posso te ver” saiu do quarto beijando minha testa.

  •  Ele não estava tão a fim de mim.

E assim como o sol se põe e como o verão termina dando espaço para o frio do outono, ele sabia que tinha dia e hora para terminar. Aquele tipo de história que não tem um “viveram felizes para sempre” no final, mas tinha uma série de momentos que iam ficar para sempre guardados e pronto para aquecer o coração assim como sol num dia quente de verão.

Em um paraíso sem dia e sem noite

Aos treze pintou os cabelos de loiro, aos quinze já tinha os rascunhos dos seus primeiros textos.

Aos dezoito resolveu trocar o Direito pelo Jornalismo.

Aos vinte e quatro cortou o estômago ao meio e quebrou seu coração em pedaços pela primeira vez.

Aos vinte e cinco foi morar sozinha.

Aos vinte e oito trabalhava com livros, tinha um blog badalado e teve seu coração dilacerado pela segunda vez.

Aos trinta anos largou tudo e foi morar sozinha no exterior.

Ainda pequena sabia o que queria.

Foi lá e fez.

Prossegue, ainda sozinha.

E mesmo não ousando grandes previsões futurísticas, odiava o escuro que se encontrava.