Vamos falar de 2015 …

O ano do retorno, prazer esse foi meu 2015.

Metade dele aconteceu na Inglaterra e o finzinho dele foi de volta ao Brasil.

Nesse ano aprendi mais sobre viver longe de casa, conheci pessoas maravilhosas que mesmo morando um oceano away from me serão parte da minha família para sempre. Aos amigos ingleses, meu obrigada por não somente em 2015 serem minha casa, por me receberem tão bem e me ensinarem muito sobre vida, fé, comunidade  e, é claro, sobre a cultura britânica que hoje faz parte de mim. Amo vocês, mais que scones e chá da tarde ❤

Aos amigos que lá ficaram, vocês fizeram meu ano! Já morro de saudades e não vou nomear todos porque foram tantos que não quero parecer injusta!

E daí vem o finzinho do ano e a volta pra casa.

Ao Brasil, obrigada por me receber com tanto calor e suor! Amo isso, #sqn! hehehe

É bom estar de volta. É bom acordar e ter a família perto, o pão francês com manteiga, os amigos apenas a um UBER de distância e o arroz e feijão de todo dia, amém.

Special Thanks para todos aqueles que me receberam de volta com tanto amor. As oportunidades de trabalho que tive já na semana que voltei. Às meninas da Lilian Comunica, minha gratidão pelos dois meses de muita risada, trabalho árduo e aprendizado!

Daí vem a Maravida, Carol Pardini, minha amiga de fé e irmã camarada! Já são, sei lá, uns 5 anos de amizade que não teve oceano que pudesse separar. OBRIGADA!

Gratidão eterna também para a ruiva mais gata do universo, Mirela Sartori e dona Naná. Meus melhores presentes de Londres! Que 2016 seja um ano juntas e que venha Jeri, né, Naná?

E quando achei que tinha acabado, vem a proposta de abrir a agência. Que ano, meus amigos, que ano!

Mas nada, absolutamente NADA em 2015 aconteceria sem eles: minha família. Somos unidos, sim. Brigamos muito também. Mas o amor no fim vence e nossas diferenças são pequenas quando vivemos em um relacionamento sério!

Aos meus pais, não conseguiria colocar em palavras. Perdão e OBRIGADA!

As minhas irmãs: GRATIDÃO! Pq né, ninguém pode com as filhas de Maria ❤

Aos amores que não tive, encontro vocês no ano que vem. Os que tive, sei lá, valeu?

Então é isso, né! Que venha 2016!

O ano de duas palavras: RETORNO e GRATIDÃO!

Ah, mas antes de dizer adeus para 2015, um dançadinha básica do hit abaixo (and Let´s go the beach, each!)

 

Advertisements

Estamos indo de volta pra casa

Ainda não me dei conta que estou indo para casa. Isso não vai acontecer agora, eu sei.

Vai acontecer apenas quando eu estiver decolando naquele avião e quando eu tiver abraçando minha família, meus amigos.

Vai acontecer quando eu estiver desfazendo as malas, entregando os presentes, decorando o quarto novo. Cozinhando para os amigos e voltando a receber ligações no meu celular.

Vai acontecer quando eu acordar cedo para trabalhar, quando sentar novamente na mesa do escritório e voltar a fazer o que amo.

Vai acontecer quando eu enfrentar o metrô lotado, quando eu encarar o corredor do supermercado e não encontrar mais Oreo por preço de banana. Quando não tiver mais Primark para as compras baratas e Tesco na esquina de casa.

As mudanças serão muitas. São dois anos fora, os amigos tem vidas diferentes, a família também mudou. Eu mudei.

Nos dois anos de vida e mochila na Europa me fizeram uma pessoa diferente. Volto ao Brasil feliz por ter vivenciado tanta coisa, conhecido tanta gente, viajado por mais de 8 países. Carrego comigo algumas rugas dos quase 32 anos, uma pouco menos de cabelo e uma bagagem pesada de conhecimento.

Triste por deixar para atrás pessoas que viraram minha família, lugares que me abraçaram como parte deles e uma país que me adotou por inteira. Na Inglaterra ficarão memórias de dias inesquecíveis, nem sempre fáceis. Dias lindo de sol, muitos de chuva. Dias de maratona de programas de televisão britânico, dias de neve até o tornozelo. Dias de comida congelada do Tesco, dias de sessão Masterchef nas cozinha das casas que dividi com pessoas do mundo todo.

Na pele levo cravada uma coroa, pra vida inteira ter comigo cada momento que vivi aqui. Minha mãe vai chiar, meu pai vai odiar, minhas irmãs vão ignorar e eu eu? Eu acho isso uma lindeza só.

Em 20 dias o ciclo se fecha. Vem os dias chatos de colocar tudo nas malas de novo, de dizer adeus aos amigos que ficam, de mudar o cabelo de novo! De enfrentar a chatisse de check in de aeroporto, de correr para não perder as conexões e as intermináveis horas de voo.

Em 20 dias um novo ciclo do recomeço se inicia. Eu, finalmente, tô indo de volta pra casa.

Não tenho medo, pode vir que tô pronta.

Nós vamos nos lembrar deles

“They shall grow not old, as we that are left grow old:

Age shall not weary them, nor the years condemn.

At the going down of the sun and in the morning,

We will remember them.”

Laurence Binyon

A Inglaterra está tomada por flores vermelhas. No primeiro ano que morei aqui achei engraçado ver todos os britânicos carregando aquilo no peito, abarrotando todos os lugares com enormes guirlandas de flores – conhecidas como “poppys” – que para mim eram apenas flores vermelhas. Achei bonitinho, até carreguei uma.

Na época não me interessei muito em descobrir o que aquilo significava e assim foi até ontem. Enquanto andava pelas ruas da Skipton e vi um senhor de idade com sua bengala enfrentando uma chuva fina e gelada, em suas mãos uma flor de papel vermelha já meio rasgada. Enquanto tomava minha caneca de chá observava pela enorme janela quando uma moça entregou a ele uma nova e vermelha flor. Gentilmente ele agradeceu a moça e desjeitadamente pendurou aquela flor no peito e sorriu.

Uma compaixão enorme tomou conta de mim naquele instante e eu me dei conta que aquilo não era apenas flores vermelhas e fui atrás da história. Todo ano em novembro os britânicos lembram e agradecem a todos os soldados mortos durante a grande guerra mundial. Considerados heróis pelos ingleses, todos esses homens morreram tentando proteger a Inglaterra durante toda a guerra.

Envolvida em muitas outras guerras e batalhas, inúmeros memoriais relembram a vida daqueles que se doaram pela nação durante todo esse tempo. Em 2007 as Forças Armadas Britânicas inaugurou nos jardins do National Memorial Arboretum, em Sttaffordshire, um enorme memorial onde em toda primavera eles atualizam com o nome de pessoas que morreram protegendo a nação britânica.

Hoje às 11 horas da manhã a Inglaterra parou por um minuto para relembrar daqueles que doaram suas vidas em favor do seu país. Adotada pelos britânicos, eu fui uma dessas milhões de pessoas que por um instante parou tudo para homenagear aqueles que morreram por amar sua pátria.

Isso me fez pensar em como nós brasileiros não demos valor ao nosso passado. Ok, não temos um passado brilhante e condecorado como muitos outros países, mas temos centenas (porque não milhões) de soldados que doaram suas vidas em favor do Brasil.

E daí pergunto? Vocês sabem quem são eles? Quantos são? O que fizeram? Eu não sei, confesso. E hoje me senti um pouco envergonhada com isso porque temos um passado que deve ser honrado e com exceção do tradicional desfile de 15 de Novembro, não temos quase nada!

Lotamos as ruas para celebrar os milhões de brasileiros gays. Umas multidões de pessoas Marcham para Cristo e quantos aos que morreram servindo sua pátria? Quando eles serão lembrados?

Não quero parecer dramática ou hiper saudosista, talvez esteja sendo. Só estou tentando despertar um sentimento em você que senti quando vi aquele senhor de idade carregar com orgulho sua “poppy” no peito e entendi que honrar o passado é fundamental para entender o presente e sonhar com o futuro promissor.

Fora da cidade

Eu nasci numa cidade tranquila do interior de São Paulo, passei boa parte da minha vida desejando tentar a vida na cidade grande. Eu fui lá e fiz.

Depois de quase cinco anos desbravando a selva de pedras também conhecida por Sampa, decidi que tava na hora de mudar tudo e ir atrás de outro sonho, morar em Londres. Eu fui lá e fiz.

Sempre achei cidades grandes a melhor coisa do mundo, tinha vontade de conhecer tudo e todos. É como festinha de criança ou ceia de Natal. Há tanta coisa para se comer que a gente acaba nem comendo direito, fica por horas encarando cada doce e não se decide. A vida na cidade grande muitas vezes pode ser desse jeito. Você quer viver tudo e vive nada.

Um ano desbravando cada rua de Londres entendi que queria continuar na Inglaterra , mas queria tentar algo diferente, quis resgatar o tempo que a vida era menos complicada. Aonde o tomate vinha do pomar, a paisagem contém cavalos e vacas, a internet é limitada. Troquei o salto alto pelas botas de cowboy e vim descobrir como se viver num tipo vilarejo do interior da Inglaterra.

E a aventura começou apenas dois dias atrás e acreditem o clima rural já trouxe alguma mudança. Sabe a primeira coisa que descobri? Que o lugar do mundo onde há mais solidão é entre as pessoas de uma cidade grande e meu grande medo de se sentir entediada em viver numa vilazinha de nem 2500 habitantes desapareceu junto com o vento frio que bate em minha janela o dia todo.

Aqui todo mundo é feliz porque vive um dia de cada vez. Parar no meio do caminho para observar um rebanho de ovelhas passarem faz parte do dia, tirar breaks de 30 minutos no meio do dia para conversa com pessoas que nunca viu é prazer, sorrir e dizer bom dia é dever.

Aqui as coisas são como são e não como  achamos que devem ser.

—-

Out of town

I was born in a quiet town in São Paulo, I spent much of my life wanting to try life in the big city. I went there and I did.

After nearly five years braving the jungle of stones also called Sampa I was decided that was the time to change everything and go after the dream of living in London. I went there and I did.

I always thought big cities the best thing in the world, I always wanted to know everything and everyone. It’s like a little kids party or Christmas dinner. There is so much to eat that you end up not eating right, sits for hours staring at each sweet and not decide. Life in the big city can often be that way. You want to live everything and lives nothing.

A year braving every street of London understood that I wanted to continue in England, but wanted to try something different, wanted to redeem the time when life was less complicated. Where the tomatoes came from the orchard, the landscape contains horses and cows, the internet is limited. And I swapped high heels for cowboy boots and come discover how to live in a village of England.

And the adventure began just two days ago and believe rural weather has brought some change. Do you know the first thing I discovered? That part of the world where there is more loneliness among people is in a great city and my great fear of feeling bored living in a small village of 2500 inhabitants disappeared along with the cold wind that hits my window all day.

Here everyone is happy because them lives one day at a time. Stop along the way to watch a flock of sheep pass part of the day is part of the day, take 30 minute breaks in the middle of the day to talk with people who never saw it a pleased, smile and say good morning is a must.

Here things are as they are and not as we think it should be.

Five o’clock tea

– Filha, o que tem dentro dessa caixa.

– Chá inglês, manhê. Trouxe para tomar com leite.

– Leite? Desde quando você voltou a beber leite? (more…)